Por que estamos vivos?

Porque Deus assim o quer? Porque a nossa hora ainda não chegou? Qual é a sua resposta? Muitas respostas são possíveis, mas se não estou equivocada, quase todas vão colocar a razão em alguma causa externa. De uma eu gosto especialmente. É risível, apesar de ser tão levada a sério. Você com certeza já viu muitos pais entristecidos, dizendo que o(a) filho(a) lhes joga  na cara – muito frequentemente em ocasiões em que algo não lhe agrada – que não pediu para nascer. Que está no mundo por “culpa” dos pais. Aos pais, jogados nessa saia justa, só resta ficarem paralisados, sentindo-se culpados, presos na teia de aranha de um argumento irrefutável. De fato, foram eles mesmos que colocaram aquele ser humano no mundo. É verdade, estamos aqui porque nossos pais nos deram a vida. Uma ressalva ,porém: só nos mantemos vivos porque queremos, e isso ninguém costuma nos dizer. Aliás, uma afirmação estranha como esta nem mesmo é dita por aí. Um bebê ao nascer começa a respirar por conta própria e daí para frente cada vez mais vai conseguindo ampliar sua independência até se tornar um adulto da espécie. Vamos cada vez mais sendo responsáveis pela nossa existência. A principal razão de estarmos vivos não é porque alguém nos pôs na vida. Estamos vivos porque queremos viver, fazemos a cada dia a escolha pela vida. Ninguém tem que ser responsabilizado por estarmos vivos. Pode-se até argumentar que tem muita gente doente que gostaria de continuar a viver e está morrendo de câncer, por exemplo. É isso mesmo! Nem sempre é possível querer continuar vivo e poder. No entanto, o meu argumento aqui é outro: não é possível estar vivo sem ter escolhido permanecer vivo. Esta é uma escolha da qual ninguém costuma falar, mas é uma escolha. Não é por acaso que continuamos vivos. Nem tampouco pela escolha alheia. É simplesmente porque queremos. Volto a dizer: viver é uma escolha e isso nos coloca a responsabilidade – acho mesmo que nós nem pensamos muito neste quesito – de adjetivar nossa vida. Não é somente a responsabilidade pela escolha de viver, mas também pelo tipo de vida que levamos. Ou então vamos começar a dizer que o outro é responsável pela vida horrível que vivemos. Fugir da morte não é possível, já sabemos. Escolher continuar vivos ao sermos ofertados com a possibilidade, essa é a parte que nos compete. Se nos salvamos de um acidente terrível, se o tiro do assalto não nos matou etc… Então nos é dado de novo a escolha de continuar vivendo e de fazermos valer nossos dias aqui na Terra. Agora, dizer que nós não escolhemos continuar vivendo para justificar a pobreza do que fizemos de nossa vida, isso já fica meio difícil de sustentar. Mudemos o disco. Ao invés de responsabilizarmos os outros por tudo o que nos acontece, façamos a nossa vida valer a pena. Por acaso não determinamos nada? Não somos nós que fazemos ou deixamos de fazer as mudanças de rumos da nossa jornada? É muito fácil dizer que viver não foi nossa escolha. Viver foi e continua sendo nossa escolha, assim como continua sendo escolha nossa quais adjetivos juntar à nossa vida para ela ser vazia, depressiva, desinteressante, cheia, divertida… A lista é infinita.   Esta é, pois, mais uma resposta que se pode dar à pergunta em questão: se não somos nós que fizemos a escolha de virmos ao mundo, somos nós que escolhemos continuar nele. E somos nós também responsáveis por adjetivar essa escolha. Se gostamos ou não de nossa vida, pelo menos tenhamos claro que a escolha não só foi como continua sendo nossa. E de agora em diante dá para negar a responsabilidade pelas nossas escolhas, grandes ou pequenas? Será que foi mesmo o outro que escolheu por nós? O que afinal queremos? Achar o culpado ou achar o caminho?

Feliz dia do homem

Você já deve ter ouvido alguém dizer: “Se a gente comemora o Dia da Criança  e o Dia da Mulher, por que não se comemora o Dia dos Homens?” Existe quem diga, meio na brincadeira, que as mulheres e as crianças são graciosas e que os homens são desajeitados para esse tipo de coisa. Mas não se esqueçam: tem o Dia dos Pais. “Ah, mas aí não vale! Tem o Dia das Mães também.” Por que se valoriza a mulher como mulher e não o homem como homem? Afinal por que não se comemora o dia dos homens? Leitores, me respondam, por favor. Enquanto espero as respostas, vou aproveitar o momento para valorizar e reconhecer uma minoria em ascensão. Parabéns aos homens que nesse Dia da Mulher estão conseguindo crescer e viver uma vida de trocas com ela. Parabéns aos homens que, apesar do desconhecido e do medo de errar se movem e abrem novos caminhos para responder às mudanças na forma de se posicionar em relação ao outro sexo. Parabéns aos homens que estão conseguindo se sentir homens não se medindo com a sua mulher. Não sendo o avesso vitorioso de um sexo frágil, pedinte e dependente dele – mesmo que seja uma mascarada, um fingimento feminino para que o homem se sinta másculo e poderoso. Parabéns aos homens que se alegram genuinamente com o sucesso de sua mulher porque o sucesso dela não significa a derrota dele, a grandeza dela não é a pequenez dele, a alegria dela não produz a tristeza dele. Parabéns ao homem flexível, que consegue trocar de lugar com sua amada, numa gangorra deveras amorosa, criativa e divertida, na qual, conforme cada momento, aquele que estiver na melhor posição pega o leme, toma a frente, faz acontecer. O outro fica de coadjuvante voltando, num balé respeitoso, a ocupar o papel do ator principal dependendo da cena da qual se trata. Estamos falando de papéis, que são lugares que frequentamos na vida e não o que somos e ponto final. A única coisa que somos e ponto final é “seres para a morte”. Isso não tem jeito de ser diferente.  Quanto ao resto, podemos ser e não ser dependendo das circunstâncias. Alguns podem retrucar que homem que é homem tem que dar conta do recado. Concordo e acrescento: adulto que é adulto tem que dar conta do recado. Que recado? O de viver bem sua própria vida. Só que, alôô!, isso no mundo de hoje é exigência para os dois gêneros. O dar conta do recado de um homem não é necessariamente mais pesado que o da mulher. Um dia desses um analisante de 30 anos, médico, que ia se casar me disse: “Ela – a noiva – tem que trabalhar assim como eu. Ela não é aleijada para eu sustentá-la”. Você percebe que a relação entre o casal hoje pode funcionar como um carrossel que vai girando e as posições vão se alternando conforme a necessidade e a escolha? Não tem mais “coisa” só de homem ou só de mulher. Ninguém perde o valor por ser flexível. Ser valorizado, respeitado e acima de tudo desejado no amor é possível para os dois desde que ambos estejam satisfeitos consigo mesmos e com o que são e não usando o outro como escada para ser sempre o astro do show. Então, parabéns aos homens que não agem como meninos emburrados quando a atenção, o colo, o bolo maior não lhes é ofertado na hora em que queriam. Parabéns aos que já conseguem ser parceiros de suas parceiras. Se você não ficou na lista dos homens que já merecem a homenagem, acorde e aja. Quem sabe no ano que vem, uma semana depois do Dia da Mulher, você já esteja na lista dos homens que estão conseguindo. Conseguindo o quê mesmo? Serem homens novos em um novo tempo. E, finalmente, não sem emoção, quero dizer: parabéns aos homens que, por serem fortes, conseguem ser ternos.

Um divã para os leitores

O Popular – 75 anos Um divã para os leitores O POPULAR estreia amanhã sua mais nova coluna, coordenada pela psicanalista Luciene Godoy, que vai tratar de nossos desejos, angústias e emoções sob a ótica da psicanálise Rodrigo Alves 21 de fevereiro de 2013 (quinta-feira) No século 21, época da superinformação, já vivemos na era do tudo pode. Mas ainda não sabemos lidar com a liberdade que temos em mãos e fazer nossas escolhas tem nos custado cada vez mais novas angústias. A avaliação é da psicanalista Luciene Godoy, coordenadora da nova coluna que O POPULAR estreia amanhã, Divã do Popular, que será publicada todas as sextas-feiras, no caderno Magazine. A coluna é mais um serviço que O POPULAR oferece aos leitores, dentro das comemorações de 75 anos do jornal e dos 80 anos de Goiânia. Goiana nascida em Caldas Novas, que adotou a capital goiana para viver há mais de 30 anos, Luciene, 54 anos, é graduada em pedagogia pela PUC-GO e pós-graduada em psicanálise pela PUC-SP. Há anos, ela se dedica ao estudo dos novos caminhos da teoria freudiana. Luciene faz parte de um grupo de pesquisadores que atualiza e aprofunda as pesquisas iniciadas pelo pai da psicanálise, com contribuições da sociologia, da história e da filosofia, a fim de encarar a nova era social que a sociedade ocidental experimenta. Também ligada ao Instituto da Psicanálise Lacaniana (Ipla), de São Paulo, Luciene no momento estuda ainda a prática da clínica da psicanálise para o século 21, com o psicanalista Jorge Forbes. Assuntos cotidianos Segundo Luciene, a coluna Divã do Popular terá como objetivo abordar os mais diversos assuntos cotidianos sob a ótica da psicanálise. Além da colunista, uma equipe de outros profissionais também assinará textos no espaço coordenado por ela. O leitor será convidado a participar e provocar discussões entre a equipe, que tem a missão de apresentar suas ideias em linguagem acessível aos não iniciados (confira mais na entrevista com Luciene nesta página). Entrevista Luciene Godoy “As pessoas estão confusas” 21 de fevereiro de 2013 (quinta-feira) Diomicio Gomes Na entrevista a seguir, a psicanalista Luciene Godoy antecipa alguns dos primeiros assuntos da coluna Divã do Popular – que, a partir de amanhã, será publicada todas as sextas-feira no caderno Magazine do POPULAR –, explica sua dinâmica e ainda traça um panorama de questões que pautarão seu trabalho. Precisamos de um divã agora mais do que nunca? Precisamos de um novo divã, advindo do divã freudiano, por estarmos no século 21, passando por grandes transformações. Costumo dizer que as abelhas, a cada geração, fazem a mesma coisa. O ser humano não. Ele muda a cada geração. Mas não é só uma mudança de gerações. É uma mudança de parâmetros, de laços sociais. Vamos compartilhar informações sobre isso nesta nova coluna. As pessoas estão confusas: são muitos tipos de casamento, quase ninguém entra mais em um trabalho para ficar a vida toda. E vamos instaurar esse divã no POPULAR para que possamos falar de tudo isso, com o viés da subjetividade. Como esses assuntos serão trazidos para a coluna semanalmente? A ideia é trazer informações relevantes para a compreensão do que está acontecendo, de forma simples, acessível, direta e útil. Em princípio serão textos meus. Em seguida vamos trabalhar com textos de outros profissionais da área “psi”, coordenados por mim, sempre falando de eventos que tocam as pessoas, algo que tenha acontecido, como uma catástrofe ou alguma coisa boa, um filme comovente. Posteriormente, pretendemos também fazer convites para outros profissionais, como artistas, médicos, para que possam falar de suas vivências. Vai ser um verdadeiro fórum. E as pessoas estão convidadas desde já a comentar, discutir, concordar, discordar, para que essa equipe possa também se posicionar sobre os assuntos. A senhora diz que as relações de poder verticais vão perdendo espaço para um tipo de relação em rede, horizontal. Leremos sobre isso? Esse é um ponto nodal. Neste momento, estamos colhendo os frutos do que pensadores do Iluminismo, ainda no século 18, sonharam para a humanidade. Estamos começando a usufruir uma liberdade de pensamento. O que nós chamamos de “mundo edípico freudiano” era algo organizado com base na liderança de um comandante que pensava e a quem os outros obedeciam. Aí veio a queda dos ideais. As pessoas começaram a ver que esses líderes falhavam e que as instituições não eram donas da verdade. E o que aconteceu? O ser humano foi se individualizando. Mas não é individualismo no sentido egoístico. É que estamos cada vez mais responsáveis por nossas vidas. Mas isso aumenta a angústia. Quer dizer que se tem mais conhecimento e que não há mais como responsabilizar o outro? Sim. E você tem não só meios de adquirir uma informação, como meios de criar sua informação. Você coloca uma foto na internet e em minutos ela pode estar circulando pelo mundo inteiro. Antes, se você presenciasse alguma atrocidade, onde iria para propagar isso? Ao jornal, à televisão. Agora é você quem coloca no celular. É nesse mundo que a gente vive, de surpresas, no qual não se sabe o que vai acontecer no próximo passo. O que a senhora está mencionando refere-se ao que se chama na filosofia de hipermodernidade? Absolutamente sim. A hipermodernidade, inclusive, é um conceito que a gente estuda como analista. Gilles Lipovetsky, filósofo e sociólogo que escreve sobre as transformações da sociedade contemporânea, fala que não estamos mais na pós-modernidade, mas na hipermodernidade. E este é um assunto sobre o qual discutiremos muito na coluna. É um acirramento da pós-modernidade, algo mais violento ainda, marcado pela troca de informações em uma velocidade imensa. Na psicanálise, por conta da hipermodernidade, temos o desafio em pensar diferente do que era no mundo edípico, anterior ao nosso, em que o sofrimento era motivado pela proibição de fazermos o que queríamos. Hoje você pode tudo. A grande angústia da hipermodernidade é a escolha. Estamos falando de liberdade, mas ainda há, obviamente, condições que bloqueiam e censuram nossos atos. O que, sob a ótica da psicanálise, nos

Vamos fazer uma DR?

Estamos profundamente marcados pelo racionalismo que desde o século 18 guia a nossa maneira de ser. Ops! Já ia escrevendo que o racionalismo “guia a nossa maneira de pensar”. Até parece que ser é a mesma coisa que pensar. O pensamento racional, a razão colocada como instrumento para entender vida, foi o que se seguiu ao pensamento religioso em torno do qual o ser humano estruturava sua vida no mundo na Idade Média. Ficamos viciados e – pasmem – cegos pelo fato de acharmos que só o racional trará a solução desejada. Aí vem conversa em cima de conversa, explicações, reprimendas, conselhos… exigências… comandos. Mas então como encaminhar conflitos se não pelo diálogo? Não dá nem para imaginar outras escolhas. É, mas tem, sim. Por exemplo: o silêncio, que bem manejado pode ser precioso. Não o silêncio emburrado, da vítima, mas o silêncio escolhido, colocado no lugar e na hora certa. Temos o humor e nesse caso até humor negro está valendo. Uma tirada inesperada, uma ironia bem jogada, pode mudar uma situação de supetão, sem a menor necessidade de longas explicações, tentativas cansativas de convencer o outro. Podemos levar o outro a enxergar um novo ponto de vista, uma outra maneira de enxergar algo, simplesmente tirando-o do lugar onde está, meio que num empurrão. Só que seria um empurrão subjetivo. Empurrão subjetivo? É, veja o exemplo (verdadeiro). Cena um: o marido, contrariado com a nova roupa da esposa, a cutuca em várias ocasiões mostrando seu desagrado, até que, perdendo a paciência (já que a outra escorregava do confronto),  metralha com os olhos profundamente desaprovadores: “Esta roupa não tem a sua cara”. Ela poderia começar uma DR (Discussão de Relacionamento) infindável sobre a falta de respeito pelo seu jeito de ser, pelas suas escolhas etc, etc. Ele poderia responder de forma agressiva negando a falsa acusação. O cinema poderia ser estragado, o momento de amor, perdido, o príncipe viraria sapo, a princesa viraria sapa. Um horror! DR é isso aí. Porém ela, sem pestanejar, em cima da bucha, ela responde sorridente e brincalhona: “Mas esta é uma das minhas caras que você não conhecia!” Cena dois: o marido fica espantado e meio envergonhado ao se perceber tentando impedir um outro ser humano de ser o que quer. Cena três: os dois sorriem e se fitam com o olhar malicioso e cúmplice. No ar o sentimento de “saquei”. Conflito resolvido e mais uma lição aprendida. Ela conseguiu passar a mensagem e ele a entendeu, sem explicações, choro e ranger de dentes. Um longo diálogo explicando a necessidade do respeito pelas escolhas do outro? Em vez disso uma pancada bem humorada que produziu o efeito desejado de abrir os olhos do outro, de mudar sua posição, deslocá-lo de suas certezas. A DR é tãããooo cansativa (para elas), tãããooo enfadonha (para eles) e dolorosamente ineficaz. Convenhamos, na maioria dos casos ela gera mais obscuridade do que esclarecimento… e… mais briga, muito mais desentendimento e briga. Talvez seja meio demais – não tenho tanta certeza disso – chamar a DR de Destruidora de Relações, mas pelo menos destruidora de bons momentos isso ela é. Creiamos na eficácia de outros modos de resolvermos impasses na relação amorosa. O bom humor pode ser nosso grande aliado na condução de conflitos, ao invés de longos, cansativos, repetitivos e ineficazes diálogos. Vamos diversificar nossos instrumentos para dialogar com o outro. Desloque-o com belas e criativas “chaves de braço”. Desvie as flechadas negras produzindo com isso leveza! Surpreenda! Em outras palavras, mude o rumo das coisas em ato e não no falar, conversar e discutir. Não fale, mude. Que tal incluir no seu “kit busca de mudanças” o Empurrão Subjetivo? Artigo originalmente publicado no jornal O Popular em 8 de março de 2013.

Novas maneiras de ver a vida

O título deste artigo também poderia ser: “Novas maneiras de ver a vida”. Fica difícil acreditar que algo vá mudar para melhor. Os noticiários estão cheios de catástrofes. É disso que quero falar. Gostaria de convidá-los para ir além das notícias estampando o horror que é o mundo. Queria atentá-los para certos movimentos e certas mudanças que acontecem e não são enfatizados, já que, todo mundo sabe, catástrofes vendem bem. No entanto, cenas de crianças, um céu estonteante ou um gesto de solidariedade e amor também nos tocam profundamente.Enternecem-nos. Ah, mas cuidado! Se você se enternece é porque foi pego em suas emoções por manipuladores que se valem do fato de suscitar sentimentos baratos e sem profundidade para engrupir. Luc Ferry, o mais conhecido filosofo francês da atualidade, em seu livro A Revolução do Amor, diz que: “Nós temos a tendência de só ver na história o que desaba e morre, quase nunca o que surge e ganha vida”. Há, segundo ele, uma propensão ao pessimismo. Ele afirma que o otimismo é visto como ingênuo, simplório e tolo. A visão da destruição, por outro lado, confere imediatamente àquele que a professa uma presunção de lucidez e de inteligência. Intelectual que se preze, que tem qualidade, tem que ser taciturno e negativista. Ser otimista não é ser ingênuo enganado por alguém que lhe vende gato por lebre. É escolher dar relevância a certas faces do objeto. É não ver tudo negro de forma que só nos reste uma fuga deste mundo, que é o que temos, para pleitear a necessidade de uma mudança total, só assim, poder usufruir de um bem estar impossível nessa vida de penas e sofrimentos eternos. Então falar em uma revolução do amor significa o quê nesse “mundo de egoísmo e violência” no qual vivemos? Explico com um pouquinho de história. Há mais ou menos 200 anos, com a conquista do casamento livremente escolhido, o amor foi pouco a pouco tomando o lugar de todos os outros princípios que dão sentido à vida, todas as outras formas de legitimação de nossos ideais – aquilo que assume o lugar de nossos valores maiores. Há algo acontecendo pela primeira vez na história da humanidade: o amor se torna o principio fundador de uma nova visão do mundo, um novo lugar que dá sentido e reorganiza os valores de hoje. Neste momento cresce uma lógica do sentimento, da afetividade e do amor como princípio de sentido de vida. Estamos testemunhando o nascimento de uma nova figura que representa que é sagrado e que revoluciona lentamente nossas existências. Vai na frente, hoje, quem percebe que as pessoas se agarrarão cada vez menos ao medo, à culpa e à infelicidade como modo de vida. O pessimismo vai cair de moda até entre os intelectuais. O grande princípio que começa a tomar conta é: “Já que vamos morrer, o melhor que fazemos é viver intensamente”. Claro que há excessos no que está sendo construído, porém estamos aprendendo a comer melado sem nos lambuzarmos. Ter prazer sem nos perdermos no gozo sem limites. Estamos descobrindo que “não se pode ser feliz sozinho”, embora sejamos, por definição, sós. A aposta é que, ao passar a febre do consumo imediato, o ser humano vá dando valor a coisas muito mais fundamentais como, uma vida material suficientemente digna, a amizade e a beleza dos pequenos milagres que estão na vida a cada momento. Quero sim, descaradamente, falar das coisas boas que já podem ser vislumbradas. Quero enfatizá-las para que tomem forma e venham a existir. O amor pelo nosso planeta, o “planeta azul”, o “planeta água”, principalmente pelas gerações mais jovens, nunca vivido dessa forma, é a prova do novo valor que se dá às  coisas fundamentais, das quais nossas vidas realmente dependem. Que perfume é esse? Está chegando… sinta… “O amor está no ar”. Artigo originalmente publicado no jornal O Popular em 01 de março de 2013.

Um novo divã no mundo

Estamos inaugurando hoje mais um divã no mundo. Mais um lugar para exercitar o que a psicanálise nos permite: a busca por uma melhor versão de nós mesmos. É um convite para vermos de outras formas as certezas fossilizadas, as respostas de sempre que já não mais nos localizam. Sempre que há confusão e dificuldade de se compreender e resolver situações de impasse, alguém saca a tão conhecida frase: “Manda para o divã!” É como se o divã fosse um moinho para triturar problemas e sofrimento. Como um biodigestor que transforma o que há de pior – excrementos – no tão mais nobre, utilíssimo e embelezador produto dos jardins e plantações do mundo inteiro – o adubo. No dicionário o vocábulo “divã” é definido como um sofá sem braços nem encosto, espécie de canapé que se pode utilizar como cama. Cama da qual Freud fez um novo uso, para fazer as pessoas acordarem e não para dormirem. Divã significa também uma sessão de psicanálise ou qualquer coisa que faça alusão a ela. É esse o nosso campo aqui. Nesse espaço que hoje inauguramos,ofereceremos o olhar da psicanálise para fatos diversos da vida. Há mais de cem anos o divã de Freud dá seu recado na civilização e não é por acaso que sobrevive. É porque ainda consegue se transformar e continuar a dar respostas ao longo das mudanças históricas pela qual o mundo passou nesse tempo. Essa psicanálise que se reinventa a cada momento é a que nos mobilizará aqui. Nosso divã é um divã do século 21. O que transitará por aqui serão buscas e achados para nossas vidas hipermodernas. Situando um pouco a nossa história: o divã freudiano foi inventado num momento chamado de “Era Vitoriana”, no qual o gozar da vida e seus prazeres, principalmente o sexual, era proibido. Cada qual se virava como podia. Uns viviam o lado escuso de sua vida inconfessável. Outros matavam pura e simplesmente os prazeres desse mundo e investiam tudo na vida após a morte. Outros ainda adoeciam do corpo e da alma. Os dramas de nossos avós, de nossos pais e, em certa medida, os nossos também têm sempre algo a ver com impedimentos, desaprovações e condenações. Isso porque viemos de uma formatação social em que nascíamos e vivíamos para um determinado grupo, para nos conformarmos a ele. Se não satisfizéssemos as expectativas alheias, inevitavelmente nos sentíamos “culpados” – a palavrinha demoníaca que rouba a nossa paz interior. Para quem ainda não percebeu, o mundo não está mais assim não. Está tomando forma um funcionamento diferente do que chamamos de laço social (o que une as pessoas). Se uma mulher, hoje, diz às amigas que está aguentando o casamento por causa dos filhos, muito provavelmente vai escutar intervenções do tipo: “Filho cresce, casa e vai pro mundo. E você? Se não pensar em seu bem estar, você vai ser uma infeliz cobrando dos filhos a fatura do seu sacrifício”. Que mudança! Vocês se lembram do quanto a expressão “se sacrificar por…” era elogiosa? Hoje tende a ser vista como uma escolha cega e para um outro que “não está nem aí pra você”. Cada um é conclamado a fazer escolhas baseada em seu contexto. É nesse mundo muito mais de escolhas e construções do que de proibições que colocamos hoje um novo divã. Os leitores que se interessam pela psicanálise, por Freud e Lacan, ou que queiram apenas compreender um pouco melhor esse mundo tão diferente, terão um espaço para, quem sabe, vê-lo com olhos mais curiosos e inventivos, achar novas respostas para problemas antigos e conseguir viver sua melhor versão nesse momento de possibilidades tão assustadoras. Cabe dizer também que por essa coluna passarão artigos de diversos autores, sempre com um enfoque na subjetividade e na vida afetiva. Junte-se a nós nesse fórum de trocas! Artigo originalmente publicado no jornal O Popular em 22 de fevereiro de 2013.

O Inferno é o outro?

Luciene Godoy Tendemos a pensar que todo o nosso sofrimento está, de uma forma ou de outra, relacionada ao outro. A frase “O inferno é o outro” atribuída ao filósofo francês Sartre parece, quase sempre, tão verdadeira! Temos a certeza de que se o outro não tivesse nos tratado de tal ou tal forma, feito isso ou aquilo, se o mundo não fosse tão… ou tão… aí, sim, a minha vida seria um paraíso! Parece nos que sempre que o outro está envolvido tudo se torna tão mais difícil. Será que ele quer assim ou vai reclamar? Será que vai concordar ou dificultar?etc…etc… Por outro lado podemos atribuir o nosso sofrimento ao fato de não ter alguém. Não daria para ser feliz sem alguém, mas não qualquer um. Alguém para nos fazer feliz teria que perfazer certas exigências e se acaso não o fizer, é por isso que sofremos. Ficamos, assim, no impasse, se temos sofremos, se não temos sofremos também. Porém, vale lembrar, o sofrimento nos parece sempre vir de fora, esse é o engodo. Por isso, não dá para falar em relações humanas pelo externo, mas pelo que chamamos de relações intrapsíquicas. Com quem, afinal, nos relacionamos internamente? Com que personagens convivemos dentro de nosso teatro pessoal? A sensação de sermos vários dentro de nós, esse diálogo interno que temos com nós mesmos são a prova de todo um universo interno. É a nossa história de vida, o que foi e o que vai sendo: interpretações, valores, ódios e amores, sentimentos que somente a gente mesmo pode viver. A esse mundo, o outro não tem acesso, e é nesse mundo, como muito comumente falamos, que habitam nossos demônios. Portanto, é de arrepiar, mas parece que podemos dizer que o inferno não é o outro, que o inferno somos nós mesmos. Nossas grandes mazelas estão muito mais na maneira de ver, no olhar que temos para cada coisa. É por isso que afirmamos serem as relações pessoais distorcidas pelas intrapsíquicas. Esse fenômeno, essa projeção do mundo interno sobre o externo está acontecendo o tempo todo. Vejamos o exemplo de uma jovem bonita e interessante que aos trinta anos afirmava insistentemente que queria muito se casar, mas que era “azarada”, que somente homens comprometidos se interessavam por ela. Num processo de análise ela vem a descobrir que era ela mesma que, sem se dar conta, selecionava homens com os quais não pudesse vir a se casar, porque havia conseguido se lembrar que, quando pré-adolescente, ouvia a mãe a repetir “casamento é um sofrimento, casamento é algo horrível”. Ela, de fato, queria se casar, mas, por influência de uma fala do mundo intrapsíquico, ela fugia do casamento, pois fazia-o dentro de uma lógica de fugir do sofrimento. Cito um outro exemplo, o de uma jovem casada com um marido reconhecidamente mulherengo, com uma sucessão de casos e traições, pouco companheiro, mal pai, mal amante. A esposa em questão era bonita, malhada e bem cuidada, profissional bem remunerada, mãe dedicada e admirada pelas amigas. Amigas que não conseguiam entender porque alguém tão especial se mantinha numa relação tão desigual e insatisfatória. É que as amigas não podiam aquilatar o papel que o pai da jovem em questão tinha nessa história. Explicando: ela teve um pai extremamente presente, bom pai, companheiro e amante de sua mãe. Assim, a imagem do pai se sobrepunha à do marido. Ela não conseguia abandonar a fantasia de que o marido, apesar de tudo, era como o pai. A realidade não estava sendo levada em conta e não era com o marido, mas com uma fantasia que ela continuava a viver. Esses são exemplos ilustram o fato de que vemos o mundo projetando o que nos estruturou o psiquismo na infância. É isso que torna tão difícil o estar junto humano, porque simplesmente não vemos nada como é, nada nos é objetivo. O que é próprio do ser humano é modificar a realidade pela leitura que seu olhar lhe permite ter dela. A verdade é que não convivemos com o outro, mas com o que somos capazes de ver nele! É o que me faz lembrar a história dos dez cegos que tentavam, pelo tato, “enxergar” um elefante. Cada um de seus respectivos pontos dizia: “O elefante é como uma cobra”, o outro “parece com uma coluna” e outro ainda “que nada, parece uma cortina de couro”. Cada um falava do que conseguia abarcar. Cada um, a seu modo, estava “ certo”, tinha motivos para ver com aquela diferença. Somos todos da mesma forma limitados dentro de nossa experiência a ver apenas alguns aspectos da imensa complexidade humana. Se pelo menos levarmos isso em conta, conseguirmos nos perguntar qual é a tonalidade dos óculos com que colorimos o mundo antes de vê-lo, sabermos que projetamos no mundo nosso mundo interno, já serão possíveis relações melhores, uma vez que não pautadas na crença de que o “meu lado é que é o certo”. — Artigo originalmente publicado no jornal O Popular em 8 de novembro de 2008.

Ano Velho – valeu a pena?

Sempre falamos de ano novo no Ano Novo. Fazemos planos e promessas. Olhamos para a frente. Pode parecer retrocesso falar do Ano Velho, porém tem mais futuro nisso do que se possa pensar. Reparemos como o antigo aponta para o futuro. Gosto muito, adoro mesmo, ao terminar o meu ano, rever o que vivi e fiz dele. É uma prova de fogo, ou melhor dizendo, uma prova de realidade, uma verificação se você está ou não vivendo a sua vida ou está meio que vegetando, “zumbizando”. Essa é a hora da verdade do que temos feito de nosso tempo, nosso dinheiro, nossas emoções. E, acima de tudo, o que temos usufruído de nossa possibilidade de vivermos bem e prazerosamente. Dá para disfarçar? O que queremos mesmo é ser felizes. Quem gosta de sofrer está doente. Passamos um ano olhando para o outro e para nós mesmos procurando e censurando os defeitos encontrados na varredura “antifalhas”? Tentando melhorar tudo com a Teoria do Reformador do Mundo, que era um cara que achava que o mundo estava todo errado e sugeria, ao longo de sua passagem pelo caminho, todo tipo de mudanças. Por exemplo: que a jaboticabeira deveria produzir melancias. Então, que tal nos juntarmos a ele para consertar o mundo? Só com palavras, vejam bem, porque mão na massa para mudar alguma coisa o Crítico do Mundo não põe de jeito nenhum. Ou vamos viver da melhor forma que nossas circunstancias nos permitirem? Podemos não ter as condições perfeitas: “Ah! Eu queria tanto morar em Nova York!”. É, não mora lá, mas pode criar um mundinho delicioso para o seu cotidiano e curtir para caramba a “sua” NY inventada. Ou então, pelo amor de Deus, faça alguma coisa pra ir prá lá, porque se você morrer tentando, morrerá feliz com você mesmo por estar a caminho do que tanto quer. Você pode pensar: “Aí já é demais, falar que podemos criar um lugar nosso, confortável, sei lá … algo de prazeroso aonde quer que estejamos”. É isso. Aproveite o que as circunstancias lhe dão no momento. Veja o que você tem e pare de escarafunchar o que não tem. NY não tem o nosso céu tão azul, nem o ar deliciosamente fresco de nosso Planalto Central. Não tem a nossa luminosidade, nossos amigos etc, etc. Nossa, até parece que a gente é expert em fugir da felicidade, em não enxergarmos o bom, mas somente o ruim! Será que estamos acometidos da Sindrome do Reformador do Mundo? Olhe para trás, reveja o seu Ano Velho e não se iluda, o seu Ano Novo provavelmente vai ser parecidíssimo com ele. É aí que o futuro está no passado. Não viva de promessas, viva de seus feitos. Para 2013 desejo a todos os meus leitores um Feliz Ano Velho!  

A inteligência do coração

Quem diria? Sempre chamamos o coração de sem juízo. Sem pé nem cabeça. Será que coração tem inteligência? Diante de uma situação de impasse, de um caminho nunca antes trilhado, sem marcações prévias, que não nos permite lançar mão da razão e da clareza, o que fazemos? Bem, podemos perguntar a opinião de amigos. Ou abrir livros de sabedoria ao acaso e com os olhos fechados deixar o dedo cair para obter uma mensagem guiadora. Tem os que vão ler búzios, tarôs, mapas ou o que quer que seja que possa lhes dar “uma luz” sobre a escolha certa, sobre o futuro. Vocês não acham isso arriscado, perigoso mesmo? Imagina colocar o meu destino e minhas escolhas nas mãos alheias, mesmo que nos convençamos de que tem “uma força maior” por detrás. Será? É, mas todo mundo sabe que pelo coração não se pode ir. Outros, no entanto, repetem a frase “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. O que quer dizer que há um racional no emocional. Aí cheguei onde queria. Há, sim, um tipo de lógica no emocional. Podemos, sim, confiar nas emoções, elas podem também nos guiar. Sabemos, muito freqüentemente, quando queremos ou não algo. Temos, isso sim, covardia de admitir e fazer acontecer. Quantas vezes falamos “no fundo, no fundo eu sabia que isso não iria dar certo ou que iria dar certo”? Ou seja, não temos a coragem de dar ouvidos a algo que sabemos, mas não conseguimos entender porque sabemos. O desejo é, talvez, o dispositivo mais confiável para saber da gente mesmo e, no entanto, é o do qual mais desconfiamos. É verdade que tem muita gente que se dá mal fazendo escolhas impulsivas, neuróticas, repetitivas, dizendo que, por serem ilógicas, são fruto de sua “intuição”. Também não vale. Não é disso que estou falando. Tente parar de dizer que não sabe o que quer e assuma que você “no fundo” sabe sim, só não tem coragem de fazer valer, de transformar a sua vida indo em direção ao seu desejo. Deste modo você vai perder a festa da vida, que nada mais é do que viver em paz com você mesmo e com aquilo que é. Só que nós teimamos em satisfazer supostas expectativas alheias achando que assim seremos felizes e vivemos com a cara amuada de quem foi passado para trás. Na verdade foi você que deixou a sua vida de lado correndo atrás do desejo do outro e não do seu. No final das contas é o desejo que dá conta do recado de saber de nós mesmos. A questão é ter a coragem de ouvi-lo, não se fazer de surdo e seguir o rumo que ele aponta. Mas, a felicidade não é mesmo para os covardes.

O que se faz na velhice?

O filme Um divã para dois, com Meryl Streep e Tommy Lee Jones nos conta uma história com final improvável. Uma vovó com cara de vovó que não se conformou em deixar de ser mulher. O filme poderia passar despercebido se não nos trouxesse, mais um vivo exemplo de uma tendência nesse nosso mundo hipermoderno: a de tomar caminhos inusitados para situações antes marcadas por respostas esteriotipadas. Ficar velho significava se preparar para a morte, caminhar rumo ao cemitério podendo desejar, no máximo, o privilégio de ter “uma boa morte”. O filme nos mostra, no entanto, uma mulher velha querendo viver o começo de uma nova vida. E se dissermos que esse projeto incluía mudar o seu casamento-morto com um marido- morto, em um novo casamento, aí a tarefa parece impossível, não é mesmo? Dizemos na psicanálise do século XXI que a velhice é um dos nomes da morte. Nossa cultura nos presenteia com vários deles tais como: a doença ou as perdas que são formas de nos levar forçosamente a acreditar que só temos aquele caminho a seguir e o mal é que nos resignamos a ele e não vemos que existem certamente outros rumos e outras respostas. Aquela velhinha do filme quer se casar de novo ao invés de se resignar e ao final parece uma jovenzinha de 20 anos de idade vivendo numa praia a sua fantasia sonhada com o seu príncipe encantado – que era um sapo- lhe dizendo o que todas as mulheres desejariam ouvir do homem amado. Claro que ela não só sonhou a mudança, mas foi tenazmente atrás dela. Se você não olhasse as imagens do filme diria que aquela era uma jovem mocinha que não se conforma em não ser feliz no casamento e busca, de todas as formas – seduzindo, conversando, buscando ajuda – viver o seu sonho. Ela continua a buscar coisas das quais já deveria ter desistido. Afinal, já teve o seu quinhão. E ela ainda quer romantismo. Que horror! Isso não é coisa para velhos. Quer dizer que prazer sexual, alegria, risos, novos sonhos e sua realização são coisas de gente jovem? Para os velhos doença, solidão, dores várias e queixas de tudo? Bobo de quem continuar a acreditar nisso! Enquanto a morte não chega tem muita coisa para ser feita. Coisas de peso, de valor ou de sonho, pouco importa. A vida só deve acabar quando acabar. Não vamos chamar a morte antes do fim porque assim vamos vivê-lo 10 ou 20 anos antes que ele de fato chegue. O que se faz na velhice? Não se vive esperando a morte chegar. Vive-se tudo o que for possível, da mesma forma que se faz na juventude.