O título deste artigo também poderia ser: “Novas maneiras de ver a vida”.
Fica difícil acreditar que algo vá mudar para melhor. Os noticiários estão cheios de catástrofes. É disso que quero falar. Gostaria de convidá-los para ir além das notícias estampando o horror que é o mundo. Queria atentá-los para certos movimentos e certas mudanças que acontecem e não são enfatizados, já que, todo mundo sabe, catástrofes vendem bem.
No entanto, cenas de crianças, um céu estonteante ou um gesto de solidariedade e amor também nos tocam profundamente.Enternecem-nos. Ah, mas cuidado! Se você se enternece é porque foi pego em suas emoções por manipuladores que se valem do fato de suscitar sentimentos baratos e sem profundidade para engrupir.
Luc Ferry, o mais conhecido filosofo francês da atualidade, em seu livro A Revolução do Amor, diz que: “Nós temos a tendência de só ver na história o que desaba e morre, quase nunca o que surge e ganha vida”. Há, segundo ele, uma propensão ao pessimismo.
Ele afirma que o otimismo é visto como ingênuo, simplório e tolo. A visão da destruição, por outro lado, confere imediatamente àquele que a professa uma presunção de lucidez e de inteligência. Intelectual que se preze, que tem qualidade, tem que ser taciturno e negativista.
Ser otimista não é ser ingênuo enganado por alguém que lhe vende gato por lebre. É escolher dar relevância a certas faces do objeto. É não ver tudo negro de forma que só nos reste uma fuga deste mundo, que é o que temos, para pleitear a necessidade de uma mudança total, só assim, poder usufruir de um bem estar impossível nessa vida de penas e sofrimentos eternos.
Então falar em uma revolução do amor significa o quê nesse “mundo de egoísmo e violência” no qual vivemos? Explico com um pouquinho de história.
Há mais ou menos 200 anos, com a conquista do casamento livremente escolhido, o amor foi pouco a pouco tomando o lugar de todos os outros princípios que dão sentido à vida, todas as outras formas de legitimação de nossos ideais – aquilo que assume o lugar de nossos valores maiores.
Há algo acontecendo pela primeira vez na história da humanidade: o amor se torna o principio fundador de uma nova visão do mundo, um novo lugar que dá sentido e reorganiza os valores de hoje.
Neste momento cresce uma lógica do sentimento, da afetividade e do amor como princípio de sentido de vida. Estamos testemunhando o nascimento de uma nova figura que representa que é sagrado e que revoluciona lentamente nossas existências.
Vai na frente, hoje, quem percebe que as pessoas se agarrarão cada vez menos ao medo, à culpa e à infelicidade como modo de vida. O pessimismo vai cair de moda até entre os intelectuais.
O grande princípio que começa a tomar conta é: “Já que vamos morrer, o melhor que fazemos é viver intensamente”. Claro que há excessos no que está sendo construído, porém estamos aprendendo a comer melado sem nos lambuzarmos. Ter prazer sem nos perdermos no gozo sem limites.
Estamos descobrindo que “não se pode ser feliz sozinho”, embora sejamos, por definição, sós. A aposta é que, ao passar a febre do consumo imediato, o ser humano vá dando valor a coisas muito mais fundamentais como, uma vida material suficientemente digna, a amizade e a beleza dos pequenos milagres que estão na vida a cada momento.
Quero sim, descaradamente, falar das coisas boas que já podem ser vislumbradas. Quero enfatizá-las para que tomem forma e venham a existir.
O amor pelo nosso planeta, o “planeta azul”, o “planeta água”, principalmente pelas gerações mais jovens, nunca vivido dessa forma, é a prova do novo valor que se dá às  coisas fundamentais, das quais nossas vidas realmente dependem.
Que perfume é esse? Está chegando… sinta… “O amor está no ar”.
Artigo originalmente publicado no jornal O Popular em 01 de março de 2013.