O importante é que emoções eu vivi…
Rejane Soares Ferreira Que a emoção faz parte da vida, todos nós sabemos! Será? Comecei a colocar isso em questão… Um questionamento que pode parecer estranho, mas que evoca a reflexão sobre o quão, de fato, as pessoas se aproximam do seu estado emocional. Parece que o mundo concreto, repleto de fatos, de construções, de produções em série, se esquiva da emoção. Mas ai de quem acha que a tal da emoção foi pra lá… Ela continua aqui, fazendo parte, permeando a gente o tempo todo! Hoje acolher a emoção é mais necessário do que reconhecê-la ou dizer que a reconhece… O problema é que, por décadas e décadas, esse negócio de emoção, de sentimento, de vida afetiva, tudo isso era papo de mulher, de pessoas que podiam perder tempo na vida pensando nessas bobagens. O cerne da vida estava na razão, nos números elucidativos, na dureza dos esforços explicativos que subsidiavam a retidão humana. Pois então, essa tremenda falha em escantear a emoção faz com que a própria se faça valer de outra forma: pressão alta, dores físicas, insônia, obesidade, abuso de álcool, diabetes, falhas cognitivas, doenças cardíacas, câncer… Sem escândalo! As tendências genéticas indicam sim muitas formas de adoecimento, mas a influência do estado emocional é inegável! Não é raro se deparar com pessoas que dificilmente colocam em seu vocabulário um “eu sinto”. São mais frequentes o “eu penso”, “eu percebo”, “eu vejo”… Uma prioridade racional exagerada. A questão é parar de encarar a vida com uma racionalidade inflexível que não se justifica mais! Aliás, a posição racionalista é um tanto quanto emocional! Não nos enganemos: são nossos sentimentos e nossos desejos que norteiam nossas escolhas… Até as mais “sérias”! É impressionante como nosso desejo de ser amado e nosso medo de não sermos aceitos nos direcionam! Tem gente passando a vida refém desses sentimentos e acreditando ser uma pessoa incrivelmente racional! Essa visão fugitiva da emoção pode fazer a gente seguir um ideal de eu petrificado na razão, com uma inabilidade enorme para viver um grande amor, se sujeitar aos encantos da vida, perceber valia no que passa batido, aceitar a singularidade das pessoas e as incompletudes da vida. Fica aqui o convite! Vamos falar sobre o que sentimos e vamos assumir que nossas emoções não se adequam a um padrão específico, tal qual o pensamento pode tentar fazê-lo. A emoção destoa, desregula, encaixa, colori, aflora, norteia… Somos seres emocionais! Tem região cerebral responsável por isso, por exemplo o sistema límbico, ou seja, uma complexa estrutura cerebral que não só elabora o processo subjetivo central da emoção, mas também participa de sua expressão. Já não é mais surpreendente lermos artigos científicos mostrando as implicações do estado emocional na cognição, na saúde física, no rendimento escolar e laboral. Essa desconexão não se mostra funcional. A ideia é fazer a emoção se tornar parte! Acolhê-la em casa, no trabalho, na comunidade, na vida social, na saúde física… A arte muito nos ensina sobre isso! Mas o duro é pensar que o dom da arte é para alguns… Bobagem. Cada um pode se aproximar da sua emoção, sem isso significar que esteja sendo diminuído ou rebaixado. Ao contrário, estaremos em contato com aquilo que podemos chamar de mais autêntico em nós! As durezas da vida não precisam ofuscar nossos sentimentos. São nossos sentimentos, nossas emoções, que nos libertarão para uma vida melhor! Assumir que somos seres emocionais nos transforma em pessoas que se comprometem a fazer valer a vida! É pelo desejo que mantemos a vida, que mantemos nossos projetos, nossas realizações… Tudo regado a muita emoção! Rejane Soares Ferreira é neuropsicóloga, psicoterapeuta e professora da PUC-GO.
Ser anticonvencional não é ser mal educado
Certa vez, dirigindo para nossa chácara, resolvi dar seta à direita a uma boa distância da entrada. Havia um carro atrás de mim e estávamos descendo uma ladeira. No começo da subida eu entraria, por isso decidi avisar ao meu seguidor: “Mantenha sua velocidade e passe adiante porque vou devagar na decida para virar lá em baixo”. Meu marido então me pergunta: “Por que você está dando seta?” E eu, com preguiça de dar todas essas explicações que dei a vocês acima, achei que tinha crédito para dizer: “Porque eu quero”. Disse isso de forma gentil, num tom natural. E ele, meio sem graça, respondeu: “Puxa, pra quê ofender?” Aí me dei conta de que na nossa sociedade dizer que fez algo simplesmente porque quer é deveras ofensivo. O “porque quero” tem que ser sempre adocicado por uma explicação para neutralizar a ofensa que é – na cultura do padrão – dizer deslavadamente que se quer ou que não se quer seja lá o que for. Na verdade, o que ofende mesmo é se dar o direito de querer numa cultura do obedecer. Já notaram que a gente não pode simplesmente dizer “é porque não quero” que ofende? É preciso explicar: “Estou com dor de cabeça”, “estou indisposta” etc. Explicar significa dizer que não foi porque eu quis, mas por outras forças alheias à minha vontade. Que alheia à minha vontade que nada! O meu ato foi fruto da minha vontade sim, da minha escolha e do meu desejo. Isso ofende? Ofende muita gente, sabemos disso. Mas, porém, todavia, contudo, isso não é ofensivo. O “eu quero” ou “eu não quero” é só uma expressão do desejo de quem fala e não uma metralhada em quem escuta. Um “eu quero” não quer dizer “eu não te quero, eu não te respeito” e nem “eu não te admiro”. Já dizer que não foi porque não quis, nunca, nem pensar, é assinar a própria condenação à morte. É preciso ter toda uma lista de justificativas e explicações: “Aconteceu um imprevisto”, “bati o carro”, “chegou uma visita inesperada”, “atrasou não sei o quê”… culminando com o: “bem que eu queria, mas não deu tempo”. O “não deu tempo” é um santo remédio para encobrir o “eu não priorizei”, “eu não me esforcei para dar certo”, que traduzem o “eu não fui porque não quis”. Simples assim? Simples nada. Quem falar dessa forma vai perder todos os amigos, um por um, até amargar a mais completa solidão. É que dizer não a um convite para quem é inseguro de sua própria imagem significa rejeitar o que convida e não ao convite. Ah! É porque não gosta de estar comigo – leia-se não sou gostável – e não, por exemplo porque se está morto de cansaço mesmo ou é porque não gosta daquele tipo de programa ou, e pelo amor de Deus, isso também é possível: não está a fim porque não está a fim. Sem explicação. Alôôô! Paremos de olhar para o nosso próprio umbigo. Nem tudo se refere à nossa pessoinha que se acha o centro do universo. Quando somos “infantilóides” é assim que funcionamos. Ficamos autorreferentes, com todas as luzes do narcisismo acesas, achando que tudo nos diz respeito. Dá para não dar uma resposta padrão sem se estar desrespeitando? Dá para dizer de peito aberto “porque eu quero” sem ofender o interlocutor? Perguntar não ofende, a gente costuma repetir. Dizer o que se quer sem um rosário de explicações e justificativas também não. Aprendamos a ler outros sinais de respeito além dos convencionais, que, lógico, têm o seu valor. Mas existem muitas outras formas de se ser respeitoso sem ser pelas regrinhas engessadoras. Ser anticonvencional não é ser desrespeitoso. Ser diferente não ofende. Ser diferente enriquece o mundo!
Nosso mundo não tem bússola
Estamos todos perdidos, não acreditamos nas instituições, os ideais caíram e estamos num mundo que não se pauta mais pelo “isso é certo e aquilo é errado”. É o caos? “Essa história de não tem certo e errado é meio demais. Não é bem assim”, diria muita gente. Mas tanta coisa que há bem pouco tempo era impensável se torna, hoje, parte de nossas vidas, sem drama. Ouvimos muito a frase: “Cada qual pode buscar o que lhe faz feliz. Se não prejudica o outro, por que não?” Sim, é isso: a globalização gera novas matrizes de conhecimento, novos pontos referentes de significação – tantos mundos se encontrando em tantos meios de comunicação. Por isso mesmo podemos conviver com tantos matizes de possibilidades e de escolhas. Sim, é isso: estamos no século 21, na hipermodernidade, num mundo sem as garantias do conhecimento do mundo padronizado onde seguir, respeitar e obedecer eram suficientes para nos sentirmos guiados por uma bússola confiável. Agora estamos “desbussolados”, para usar uma expressão criada por Jorge Forbes, psicanalista que teoriza a psicanálise para a pós-modernidade e que hoje, em visita a Goiânia, fala no Café de Ideias do Centro Cultural Oscar Niemeyer. Seu tema: “Como viver na globalização”. É ele quem afirma que a nossa vida hoje é um contrato de risco, num mundo menos garantido e mais criativo. Se a palavra de ordem hoje não é pertencer a um grupo de iguais sendo igual e nem tampouco ser rebelde ou o oposto do que o grupo propõe, então onde podemos nos posicionar? Antes, ou estávamos dentro ou estávamos fora. A globalização quebra essa ideia de mundo de fora e mundo de dentro e isso repercute em minúcias de nossa vida cotidiana. Hoje, o que está em questão é se responsabilizar por ocupar o “seu” lugar em relação ao que lhe concerne em cada momento, funcionando como um GPS, você mesmo marcando suas posições em cada contexto. O que vai nos guiar não é mais uma ética universal, que vale para todos, e até mesmo por isso passível de ser driblada por outros tantos. Aqui falo de uma ética pessoal, singular, mas em nenhum momento menos forte e determinante do que a ética padrão para todos. É estar pronto para decidir, agir, propor e/ou inventar em cada acontecimento, em cada surpresa que lhe pede uma resposta. Não funciona mais dizer diante do acaso: “É porque fulano não fez isso, não me ajudou, não se importa, não cumpre o que prometeu”. Meu amigo, minha amiga, no frigir dos ovos o que é seu é com você mesmo/a. Se o outro “teria” que ter feito e não fez, ainda assim é você que vai pagar o pato. Melhor fazer, portanto, porque ninguém vai viver por você. Ninguém vai sentir a sua dor nem o seu prazer. É essa a ideia central do que pode nos posicionar numa sociedade organizada como a nossa. Não espere nem siga cegamente as receitas prontas para cada situação. Procure o seu jeito, ache o que serve para você. A roupa que serve para vestir a nossa alma nós não encontraremos nas butiques. São fabricadas pela junção que vamos fazendo de tudo o que, para cada um de nós, tem valor e importância. É nossa responsabilidade fazer a coleção, fazer a colheita do que nos interessa no mundo, e construir o nosso cotidiano. É também a nossa responsabilidade, por outro lado, inventar uma satisfação pessoal e passá-la no mundo, para que não estejamos numa ilha deserta. Responsabilizar-se não é pesado e cansativo como pode parecer. É, isso sim, ter potência, e ter potência é exatamente o que torna a vida mais leve e prazerosa. Fica o convite para todos os que queiram ouvir Jorge Forbes, hoje, a partir das 19h30, compartilhar conosco suas reflexões sobre as mudanças – e as novas respostas – no amor, na educação, no trabalho e na política.
O século 21 é feminino
Essa é uma frase que ultimamente, na psicanálise, é usada o tempo todo. Na filosofia e na sociologia podemos ver que as ideias vão por aí também. Como é que você entende essa afirmativa? Seria o fato de as mulheres estarem competindo com os homens, finalmente vencendo a parada e se tornando as novas donas do mundo? Longe disso. Resumindo, é que estamos superando uma organização social em que as relações entre os seres humanos eram marcadas pela busca de padronização. Vivíamos sempre nos perguntando se o que estávamos fazendo estava “certo ou errado”. E por que isso? Porque havia a maneira certa e a errada de fazer tudo num mundo padronizado. Num mundo… masculino. Num mundo de regras, do racional, do viver para o grupo, do levar muito a sério todas as convenções – se convencionamos é porque é bom para todos. Tudo isso é muito bom. São formas que encontramos historicamente para nos mantermos juntos como espécie. Sacrificávamos os nossos desejos particulares para entrar numa cultura que exigia a obediência às regras para que pudéssemos conviver juntos. E o tal mundo feminino, o que tem a ver com isso? Bem, o mundo feminino é definido como o mundo das emoções, das ligações amorosas na esfera da intimidade, o mundo do corpo com sua dimensão afetivo-carnal. Tradicionalmente, esse mundo foi mais habitado pela mulher pelo próprio estilo de vida definido como sendo atributo de mulheres: presidir a vida doméstica e, com isso, viver muito de perto momentos de doença e de impasses afetivos. A mulher dá à luz, dá seu corpo e sua alma com uma intensidade que só podemos viver na carne banhada pelas emoções. É o espírito desse mundo que chamamos feminino que começa a se espalhar por todo o mundo. Um espírito de valorização da vida em todas as suas formas. Desde as crianças muito mais amadas, respeitadas e valorizadas, chegando até o amor à Gaia – nosso planeta, que hoje é visto como nosso grande lar. Sim, parece absurdo, mas hoje muitos de nós podemos dizer uma frase impensável décadas atrás: “Eu amo meu doce planeta azul”. Estamos em pleno caminhar para o rumo de adotarmos o amor como “o fundamento de uma nova visão de mundo”, como diz o filósofo Luc Ferry. Se o século 21 é feminino, isto quer dizer que ele vai substituir o mundo masculino? Dou um grande NÃO como resposta. Estamos entrando, como cultura, num acordo mais largo e profundo entre razão e paixão. Desta forma, desejo fazer uma alteração e, ao invés de dizer o século 21 é feminino, prefiro dizer que ele está se transformando em masculino-feminino. Não se trata de acabar com o precedente, mas de acrescentar. Agora que as mulheres podem ser masculinas, os homens também podem ser femininos. Cada ser humano existe se valendo dos seus vários lados, por isso o mundo vai ser mais rico, com pessoas mais felizes – pois somos felizes quando respeitamos nosso jeito de ser sem nos mutilarmos em modelos engessadores. No Dia Internacional da Mulher, sinto dizer aos que alimentam a “guerra dos sexos”: o mundo feminino é exclusivo das mulheres, mas sim o mundo das mulheres e dos homens. Porque os homens poderão usufruir de uma maneira de viver mais emocional e a mulher, do seu lado racional, potente como um homem. O século 21, não sendo o do padrão, é o da criatividade, da subjetividade, da possibilidade de se ser valorizado em sua diferença. É isso o que quer dizer feminino. O século 21 é um mundo que se organiza também em padrões, não é o caos. Mas acolhe e fomenta cada vez mais que cada ser humano se jogue no mundo sustentado no paraquedas de sua “unicalidade”. Por isso corrijo o título inicial: O século 21 é feminino-masculino. Quem sabe um dia celebraremos o Dia Internacional do Ser Humano, masculino-feminino, porque é isso o que somos?!
Escolha a si mesmo
Andreia de Paula Tem muita gente parada num mundo de muitas escolhas. É estranho, mas, com tantas opções, ficamos nos sentindo travados, sem saber para onde ir e o que fazer com tantas coisas. Atualmente, existem diversas opções para cada produto ou serviço. E aí? O que escolher? Se escolhermos aquela, perdemos a outra; então, escolhemos todas e ficamos sem saber o que temos nas mãos. Aí enfiamos tudo na primeira gaveta que encontramos pela frente até o momento em que já não temos mais gavetas e começamos a espalhar pelo resto da casa ou do escritório. O resto da casa ou do escritório tem alguns limites, mas o corpo e a mente nem sempre. Tudo isso que adquirimos na tentativa de resolver alguma coisa na vida vira entulho se não soubermos o que fazer com elas. Elas viram um bolo de sensações estranhas e confusas no corpo e na mente. E, na maioria das vezes em que adquirimos algo, não temos a solução para o que queríamos nem no tempo certo. Tudo é muito rápido, podemos ir à internet ou ao shopping e adquirir tudo outra vez. Como a sensação de vazio se estabelece outra vez, colocamos de lado o que acabamos de comprar e começamos tudo de novo. Na ânsia de nos sentirmos melhores, mais valorizados e mais realizados, ficamos vazios e ao mesmo tempo sufocados por tantas ofertas. É um paradoxo. É um peso que não percebemos que estamos carregando. Será que teremos de voltar ao tempo antigo em que era tudo mais fácil? Não seria possível. Podemos fazer muita coisa com o que já temos, e principalmente com o que já somos, e assim conquistarmos o mundo. Esse mundo dentro e em torno de nós, esse que já vínhamos tentando conquistar. Mas ainda estamos presos a soluções externas e acreditando que elas vão nos salvar. Se você é dos que acreditam que as muitas soluções externas vão salvá-lo, continue a acumular produtos, títulos, faculdades, mestrados e a infinidade de serviços que são oferecidos pelo mercado. Diariamente, aparecem diversos produtos e serviços que prometem melhorar nossas vidas, as livrarias estão cheias de receitas e muitas são boas mesmo. O problema é comprarmos mais desses e acharmos que eles o farão por nós. Infelizmente, ainda vivemos na ditadura do olhar do outro. Aquele olhar do qual esperamos aprovação, consentimento para que nos sintamos adequados ao lugar que é nosso. A cada dia acumulamos mais objetos ou títulos para termos a certeza de que as pessoas importantes de nossa vida vão nos reconhecer. Assim vivemos numa busca sem limites tentando agradar a muitos: pais, chefes, professores, filhos… E nós mesmos ficamos perdidos e insaciados pelas ofertas do mercado. Como me disse uma analisante, ficamos parecendo pobres que ganham na loteria e não sabem o que fazer com o dinheiro. Estamos vivendo um momento em que estamos ricos e vivendo como miseráveis. Na tentativa de estarmos prontos, perdemos, ou melhor, deixamos de usufruir do que já está em nossas mãos. Deixamos de nos apreciar, de ver nossos atributos, não degustamos nossas construções. Vivemos imersos e afogados na ditadura do tudo posso adquirir. A vida não tem fórmula mágica. Já estamos preparados, a vida já está sendo vivida. E por que não podemos viver melhor e nos sentirmos mais felizes? Podemos começar a fazer o que já sabemos e deixar de esperar pelo dia em que tivermos e soubermos usar as ferramentas corretas. Por isso estou dizendo: já temos muito para sermos realizados, precisamos começar a usufruir de quem somos e do que temos. Isso é que o século 21 espera e precisa de nós, que tenhamos a coragem de ser quem somos. Ter a coragem de mostrarmos ao mundo que somos o que somos. Com as nossas coisas boas ou ruins é que temos a trocar com o mundo a nossa volta. Andreia de Paula é psicanalista e personal organizer
O novo tipo de liderança
Tenho repetido nesta coluna que estamos vivendo um tipo de relação nunca antes experimentada na história da humanidade: a relação horizontal de poder. Isso muda todas as relações de poder. Por exemplo: o casal. Como teoriza o historiador Theodore Zeldin, o casal será o grande elemento transformador do século 21 porque hoje a mulher compõe com o homem um vínculo com mais igualdade de valor e respeito. Não é mais o poder do homem sobre a mulher. Esta nova formatação atinge diretamente o papel das lideranças. Uma liderança horizontal está muito distante da anterior, vertical. Começo dizendo que a liderança do mundo padronizado era desumana com o líder e os liderados. Para que um grupo pudesse se formar e se manter era preciso uma identificação ao líder. Todos se uniam no amor pelo líder – como são as tietes com seus ídolos. O princípio é o mesmíssimo. Eu me projeto em alguém que vive, conforme a minha fantasia, o que eu gostaria de viver. Fica então esse líder prisioneiro, tendo que ser somente o que vai ser útil na manutenção de seu lugar de condução. Historicamente, fala-se dos líderes usando e abusando de seus seguidores, pobres cegos sendo conduzidos pelas verdades de um só. Desconsideramos, porém, que esse líder também é usado pelos tietes, que, ao não enfrentarem sem intermediários a construção e usufruto de suas próprias vidas, usam o líder para esse fim. Sim, porque ele é conclamado a fazer o papel do poderoso e infalível, para a segurança e tranquilidade de seus seguidores. Tem que ser uma máquina produzindo certezas, a imagem perfeita para a adoração dos outros, mas não possui nem a si mesmo. Pobre despossuído, despojado do seu direito de viver uma vida desejante, pois só pode desejar o que o outro espera dele. O que o outro permite nele. Ele não pode, não está autorizado a sair do lugar de Deus, senão sua liderança rui. Cortam-lhe a cabeça sem dó nem piedade. O líder à moda antiga – perdoe-me Roberto Carlos – não pode ser tocado pelo frescor, pelas mudanças, pela diversão e pelo descompromisso. O lugar de sua majestade, no fundo, é o lugar de um infeliz que vive para seus tietes e por eles. Não tem sua vida para si. São inumanos. Ele não pode precisar de ninguém, e amar é precisar… Eu digo que um líder do século 21 pode amar sim. Pode ser imperfeito e ainda sim ter as qualidades para exercer essa função. Porque é disso que se trata: a função de pôr juntas muitas diferenças e de fazer essa junção produzir seja o que for: conhecimento, dinheiro, diversão etc. Um líder horizontal não precisa ser modelo, mas ser ele mesmo e achar seu caminho a cada momento. Os outros seguirão os seus próprios caminhos também e eles se encontrarão naquilo que os une mesmo, sem se mutilarem para haver o “encaixe perfeito”. Gente que é gente não se encaixa. Só o faz quem se vendeu e entregou sua alma para virar xerox. Líder horizontal não precisa ter seguidores. Todos podem reinar, cada qual sobre sua vida e seu desejo. Todos – inclusive o líder – com o direito de errar e reconstruir. Com direito à presença de outros na vida, outros iguais, fraternos, não súditos. Pessoas fazendo acontecer e não seres babantes, gozando com o que o ídolo é e faz. Um elefante não pode jamais se encontrar com uma baleia – imagem usada por Freud. A amizade – sentimento mais nobre que pode unir o ser humano, segundo Flávio Gikovate – só pode acontecer entre os que estão no mesmo mundo, nas relações horizontais, portanto. Um líder vertical jamais vai poder se encontrar com seus liderados. Jamais vai poder conviver lado a lado. Só lhe resta, das alturas, ditar o que fazer ao súdito perdido e desejoso de uma resposta. E você, qual dos dois tipos prefere?
Jogar o luxo no lixo
Ando muito desconfiada de que jogamos coisas demais no lixo. Pior do que isso, ando me dando conta do quanto luxo está sendo tratado como lixo e acabando junto com material podre, sendo confundido com ele. Estatísticas mostram que desperdiçamos 40% da água tratada para consumo no mundo. Veja a lógica disso: tem-se um enorme trabalho para se construir algo e, depois de pronto, ao invés de se usufruir, joga-se no lixo. Proponho passar o ano que começa reciclando. É, proponho reciclar o ano velho… Proponho reciclar toda uma vida. Fazer um uso renovado das histórias, do sofrimento, das alegrias, do aprendizado. Reciclar geral! Dar um outro ciclo, uma requalificação ao que se tem. Para isso começo com a história de meus aluninhos que levamos ao zoo para um piquenique. O excitado grupo passava de jaula em jaula com a cabecinha já virada para a próxima. Sempre correndo atrás do que estava adiante, sem parar para degustar o que estava na frente. Moral da história: quando terminamos o piquenique e os convidamos para entrar no micro-ônibus, chôrôrô geral: “Mas nós ainda não vimos os bichos”. Ainda??!! Será que nós adultos fazemos a mesma coisa? Corremos atrás do próximo objeto, da próxima situação, deixando riquezas imensas na caixa de presente que acabamos de ganhar e jogamos fora. O cara com uma linda mulher olhando a do lado sem ver a sua. Ou a mulher desejando o marido da próxima sem nem saber o marido que tem porque, ao invés de viver a experiência, volta os olhos para a busca adiante. Desperdício na humanidade: luxo transformado em lixo. Tantas coisas, presentes lindos nos são dados e jogamos no lixo sem os ter utilizado – como um maravilhoso filme que vemos apressadamente e não nos damos conta de detalhes riquíssimos e jogamos no lixo, dizendo: “Já assisti… já vi… já sei o que é…” Já viu nada! Passou por cima e jogou no lixo. Fazemos o mesmo com livros, conversas que mal escutamos, loucos para dar a nossa opinião sobre o que nem prestamos atenção. Produzimos muito lixo de coisas que não utilizamos e achamos que já foram apreciadas. Que pobreza! Mas por que, afinal, jogamos o que tem valor no lixo sem saber que tem valor? Resposta fácil. É porque o objeto tem algum defeito e, como tudo é imperfeito nessa nossa vida, jamais nos adequaremos ao que o outro espera de nós. Então, já que frustramos e desiludimos o outro, “rodamos” e lá vem o próximo objeto no carrossel infantil daquele que nunca degusta o que tem e sempre busca o sabor perfeito que nunca chega. O maior luxo que transformamos em lixo, no entanto, é o que fazemos nós mesmos. As pessoas são tão bonitas, mas não veem isso. Aí se comportam como pessoas feias, infelizes, cobradoras. Parece que o mundo tem culpa do seu mal estar e elas não se dão conta de que o que veem em si mesmas é que causa a dor interna, a vontade de sumir. Sumir de si mesmas? Não damos valor a nós porque vemos o tempo todo as nossas imperfeições, já que mancamos a cada passo que damos porque as pernas de ninguém têm exatamente o mesmo tamanho. Nossa! A Gisele Bündchen manca nas passarelas? Manca sim, lindamente, e todos babamos por ela. Não reconhecer nossa maneira única de ser, nosso jeitinho, o que damos conta de realizar, aonde as nossas pernas já nos levaram etc., etc., é jogar as nossas maiores riquezas no lixo. É jogar a nós mesmos no lixo. Agora doeu: será que a gente joga a gente mesmo no lixo? Joga sim e depois fica procurando alguém para nos convencer de que não somos aquele lixo todo. Quando essa pessoa aparece, a gente não confia no que ela diz e olha de lado procurando a próxima que nos “ajudará” a sair do buraco (da privada). Já ouviu falar em privada de buraco? O buraco no qual a gente se joga diariamente é aquele. Saia dele simplesmente parando de jogar luxo no lixo.
Félix é bicha má?
Personagens de novela como o Félix (Mateus Solano), de Amor à Vida, sempre chamaram muito a atenção dos telespectadores. Lembremo-nos de Crô (Marcelo Serrado), que em Fina Estampa fez também tremendo sucesso. E vamos nos recordar de outros do passado, se puxarmos pela memória. O que será que atrai tanto nas “bichas más”? Não nos percamos por caminhos óbvios dizendo que é porque eles são cômicos e divertem todo mundo ou que, por serem gays, têm um lado extravagante e desconhecido que nos desperta o interesse. Nem venham dizer também que assisti-los nos permite entrar num mundo desconhecido de nós, “héteros” bem definidos, que supostamente nos posicionamos de um lado ou do outro da escolha sexual – visão por demais batida. Ocorreu-me uma resposta que vai por um outro caminho. E se o nosso interesse por esses personagens se desse exatamente pelo motivo oposto ao normalmente pensado, ou seja, temos grande interesse neles não pelo que eles têm de diferente de nós, mas pelo que têm de parecido? Somos todos gays? Não se trata disso. Penso que o que nos atrai é justamente a junção que existe entre masculino e feminino. Analisemos um pouco o Félix: ele é homem, biologicamente falando, mas muito feminino, com a inteligência e sagacidade que só alguém não aceito na sociedade tem que desenvolver para se integrar e ser tolerado num mundo onde ele não é valorizado sendo o que é. Essa é a posição feminina tradicional num mundo patriarcal. Quebrar as regras e transgredir são atitudes para aqueles que não têm nada a perder. No entanto, e é aí que eu vejo a brecha, à medida em que a história se desenrola, tanto Félix quanto Crô vão se revelando seres com qualidades que vão nos agradando até chegarem a ser – e ninguém se assuste com a palavra – éticos. Esse é um valor tradicionalmente masculino em uma cultura patriarcal. Eles começam a ajudar quem está próximo, fazem justiça contra os maus e no fim são recompensados por terem , diria eu, conseguido fazer triunfar seu lado louvável. Digo que queremos – mesmo sem o saber, como numa espécie de pressentimento de saber o que é bom para a gente – dar conta de juntar o nosso lado masculino e feminino. Muitas pessoas já pressentem, já farejam que tem uma mudança que vem vindo e que nos convida para vivermos sem essa divisão homem/mulher, mas numa integração entre esses dois lados. Nos tornaremos cada vez mais “homemmulher” e “mulherhomem”. Seremos as duas coisas. Cada lado entrando em cena no momento em que for o caso. Vislumbramos isto, sim, em personagens como o Félix, uma feliz junção que nos liberta do peso de ter que fazer um papel, para podermos ser mais flexíveis, viver mais invenções e ainda assim participar do mundo como seres dignos de admiração e respeito. Como eles, não temos que mostrar os atributos esperados em um homem e em uma mulher para poder ter um lugar e ter um lugar e participar do grupo. Podemos ocupar vários lugares: não só sendo um “homemmulher” ou uma “mulherhomem”, mas também aqueles vários lugares que temos a cada momento: amigo, colega, pai, mãe, profissional etc. Personagens como Félix e Crô nos fascinam porque anunciam, mesmo que de maneira caricata, às vezes, a possibilidade de juntar masculino e feminino e dar certo, resultando em um ser humano diferente, inteligente, inventivo, bem-sucedido, amoroso e ético. O século 21 é um mundo que exige polivalência, jogo de cintura, flexibilidade e inteligência inventiva que só os guerreiros desenvolvem. E a junção destes aspectos cria um novo ser humano que não será definido pelo sexo que tem entre as pernas, mas pela construção que fez de si mesmo, juntando tudo o que a sua história pessoal o proveu para viver uma vida que não estava no script de ninguém. Uma vida única, sem nenhuma outra igual. Uma vida sem a “guerra dos sexos” porque ela não fará mais sentido
CORAGEM DE QUERER
Valéria Ávilla Motivou-me este texto, a fala de um psicanalista, que num programa de televisão, descontraidamente dizia com toda sabedoria: “Quando o homem começa a gostar, o tesão é grande. Quando aprofunda o sentimento, ele tende a broxar, ou ter problemas no trabalho. E depois, para voltar a ter tesão pela vida… haja terapia!”. Muitos pensam que o desejo antecede a coragem, por isto o desejo seria algo irracional, incontrolável e possivelmente perigoso. Ledo engano! É preciso ser forte para ver o que se quer. Apenas o nosso desejo pode nos guiar para momentos felizes. Obviamente, que não é tão simples assim, desejar e pronto – tudo requer trabalho. Querer é construção, e a norma, e a moral vigente, decidamente não são as ferramentas para este construir. Requer ir além. O trabalho pode começar pelo o entendimento, mas o que interessa mesmo é aprender usar o que temos em mão, e dessa sucata fazer algo que funcione que nos satisfaça de uma forma prazerosa, e não na forma de um impulso o qual momentaneamente nos alivia e depois nos cobra a consequência – tipo: “Ah! Me estressei com meu chefe, três cervas serve.”- Saio corajoso no volante e…cara no poste. Enquanto poderia ser: “Meu chefe tá um saco, mas aquela aula de fotografia depois do expediente me refaz.”. Querer ser feliz a todo custo não é frívolo, nem inconsequente; equívoco é tentar ser feliz através do outro. Colocamos a razão, na maioria das vezes, precedendo o direito do querer, por quê? É como se esta nos protegesse de escolhermos a coisa errada, nos impedindo assim de sofrer. Saiba que nunca desejamos as coisas erradas, o que acontece é que detestamos não ser Deus e encarar que sempre existe a possibilidade de não gozarmos do objeto ansiado. Confirma-se assim, que não há nada de imoral ou perigoso com o desejo. O medo é do que vem depois dele. Desejar implica em se arriscar a ganhar ou não. Mas, não ganhar, não é necessariamente perder. Não ganhar pode nos estimular a continuarmos investindo ou nos fazer investir em outro lugar, em outra pessoa, em outro desejo, talvez. Assim nos vemos tal qual, com o medo da morte. Não temos medo da morte, e sim da vida, pois a morte acontece em vida. Morre quem está vivo, só deseja quem está vivo. O MEDO DO DESEJO É MEDO DE VIVER. Não desejar é estar morto, e nos remete a uma mera ilusão de que não corremos mais riscos: risco de não mais perder nada, pois não há mais nada a ganhar. Morrer em vida é a mais torturante das mortes. Consternar-se pelo que perdeu é bem mais suave do que padecer pelo que nunca teve coragem de obter. Na verdade, quando se é livre para desejar, o lamento de uma perda pode ser tão momentâneo como ver um lindo pássaro bater asas – traz apenas uma leve nostalgia. Lembro que a capacidade de olhar para o lado e logo encontrar outro objeto substituível é proporcional ao que nos permitimos. Afinal, o desejo e seus fins são maravilhosamente infinitos e diversos. O mundo é um mosaico de experiências. Armadilha é esquecer que a vida biológica é real e não imaginária, e este é o preço que pagamos por nossa existência – ela termina: “O tempo não apita na curva, não para na esquina, não espera ninguém”. Ao citar esse compositor do qual já não me recordo, aponto que o objeto na verdade não interessa, observem que apenas me recordo da mensagem deixada e não do autor. O que de fato importa é o que usufruímos, porque não nos manter desejantes? Continuo médica, mas hoje doei prateleiras de belos livros de Medicina, para poder acessar melhor meus romances. Poupar desgastes evitáveis é ser fiel ao nosso desejo. E se sempre há algo a se pagar, viver sob essa lealdade nos é muito menos caro – é um barato! por Valéria Machado Ávilla Coordenação: Luciene Godoy.
O casamento na hipermodernidade
Um amigo me pediu que escrevesse sobre como seriam os casamentos no século 21. Este artigo é uma resposta possível. O casamento começou a poder existir como uma livre escolha, um casamento de amor e não de interesses sociais, ainda nos séculos 18 e 19. Mas levaríamos anos e anos para interiorizarmos e usufruirmos desta prerrogativa. Freud, no começo do século 20, dizia que a grande dificuldade do ser humano seria conseguir fazer coincidir a linha sensual com a linha da ternura. Ou seja, desejamos quando não temos e, quando temos – leia-se: quando nos casamos –, perdemos o desejo e ficamos com a ternura. Casamento, na melhor das hipóteses, levava ao sentimento de amizade. Vida sexual forte e vibrante, só pulando para fora dos muros do casamento. Imagem no mínimo desagradável. Uma amizade que pressupõe a traição para haver prazer não se sustenta sem alguma dor e rancor. Além disso, o marido falava e a mulher obedecia. As posições de poder eram muito desfavoráveis a um dos lados. Gosto de citar o historiador Theodore Zeldin que diz que os grandes personagens que deflagrarão as mudanças nos modos de se relacionar do século 21 serão os casais. Exatamente porque a mulher, tendo atingido uma posição de ganhos materiais e importância no mundo social como ser produtor e consumidor de riquezas, e não somente por seu papel como mãe e dona de casa, obteve um lugar de potência à altura do que tinha o homem. Por isso, agora, marido e mulher podem verdadeiramente ser companheiros e cúmplices. Será que o erotismo, porém, continua sendo uma questão a ser resolvida fora do casamento? Nada disso. Às mulheres não interessa mais serem só mães. Querem e conseguem ser atraentes, competentes e femininas – está passando o tempo da mulher querer ser “a poderosa imitadora de homens”. Em outras palavras, companheiras ombro a ombro nas batalhas com o marido para a construção de uma vida familiar de qualidade – e isso inclui a satisfação sexual de ambos também. Tendo o casamento deixado de ser um cabide para a mulher arrumar um pai-cuidador e o homem, uma mãe-cuidadora, começa a ser possível se obter nele exatamente o que se prometia e não se obtinha: “Serem felizes para sempre”. Falei bobagem? Cito o exemplo de um casamento de mais de 25 anos cuja esposa assim se expressa: “Temos uma união que se renova… não nos acomodamos à rotina”. Não é o novo pelo novo. O que se renova é o que se mantém vivo, só isso. Não é a invenção de modismos para casais. É viver dentro do que a vida traz a cada momento de maneira não repetitiva nem cega. Assim cada dia será necessariamente novo e o casamento, idem. Continuo a descrição: “Temos uma forte ligação, somos amigos… Acima de tudo, existe um sentimento genuíno de querer ver o outro bem”. Aqui, uma amizade/companheira só possível entre pessoas realizadas consigo mesmas, sem aquele tom de mulher boazinha e que sacrificou seu próprio potencial para viver a frase: “Atrás de um grande homem sempre tem uma mulher maior ainda”. Não duvido que existam algumas mulheres que consigam, sim, se realizar nessa posição. Mas há que ver as diferenças de cada modo de vida. Digo que o amor só se mantém enquanto o outro enriquece a nossa vida, enquanto o outro acrescenta. Ela diz: “Importa para mim o que ele pensa e diz a respeito do mundo, dos nossos filhos, de nós”. Se ela se dá ao trabalho de olhar para os lábios dele quando ele fala é porque o que ele tem a dizer tem muito valor para ela. É isso que é namorar! É querer ouvir o que o outro tem a dizer. Como se não bastasse a lição de percepção e savoir-faire (saber-fazer) dessa grande personagem que muito nos ensina, ela termina com essa pérola: “E tudo funciona melhor se estamos felizes”. Ela não diz que é o outro que a faz feliz (também faz, é claro!), mas que tudo – aqui, casamento – funciona melhor se estamos felizes. Com o quê? Com a vida que conseguimos construir e viver eu apostaria. Este é um casamento século 21, que junta ternura e tesão, a potência feminina e a masculina, uma cumplicidade sem sacrifício e a felicidade individual de dois seres tão diferentes. De quem estou falando? Glória Pires e Orlando Morais na entrevista à Revista do mês de dezembro. Tirei meu chapéu!