O meu segundo batismo

No batismo nos dão um nome para levarmos conosco, nos representando, pela vida inteira. É assim, simplesmente.   É mesmo? Não necessariamente!   Eu tive um segundo batismo. Recebi um segundo nome e a perspectiva de uma segunda vida. São sempre perspectivas o que os nomes nos abrem.   Viver uma outra história é o sonho de muitos, como, por exemplo, a personagem Madame Bovary, de Flaubert, que literalmente se mata numa luta inglória sem alcançar o seu sonho.   Há cerca de três décadas encontrei um amor, um Novo Amor. Assim mesmo com maiúscula, como hoje teorizamos na psicanálise do século 21: uma nova forma de nos relacionarmos com o outro que não passa por regras e padrões.   Pois foi essa pessoa que se ligou a mim num novo laço de homem e mulher, é verdade, mas também de amante/incentivador/festejador e inventor de uma relação não inimiga, não disputadora, que nas primeiras horas que me conheceu me deu meu novo nome de batismo, dizendo: “Você é tão anticonvencional!”.   Escutei surpresa e atentamente. Coloquei o merecido peso àquela declaração e ali eu nasci de novo para uma nova vida!   Senti com profunda emoção que aquilo falava de mim. Dizia quem eu era.   A partir daquele momento, construí, tendo a consciência que dantes não havia tido, toda uma segunda vida à minha maneira. Como canta Frank Sinatra: “I did it my way” – eu fiz do meu jeito.   O Novo Amor que preconiza a psicanálise do século 21 é esse amor capaz de reconhecer o que de mais seu cada um tem. Ela também fala da participação e ajuda que nosso amado pode ter para que consigamos ter a coragem de mostrar ao mundo quem de fato somos.   Não é um amor que nos encaixota para o uso daquele que acha que nos adquiriu com uma aliança, com o seu carinho ou sua dedicação.   Nenhum de nós tem preço. Nada pode nos comprar. Cada um de nós é algo único no mundo. Não dá para saber o preço de algo sem comparação.   O quanto vale uma tela de Van Gogh? E uma de Picasso? Elas têm certamente um valor.   O quanto vale a obra de arte que é você?   Você não tem preço. Não se deixe encaixotar. Você não é sabonete. Nem nenhuma mercadoria que tenha sido feita em série.   Descubram, se possível, com o seu/sua amado/a, numa relação de Novo Amor, os seus novos nomes. Os nomes que definem melhor a pessoa na qual você se tornou. O que você fez daquela criancinha que na pia batismal recebeu o seu primeiro nome.   Que muitos nomes sobrevenham!   Eu, de anticonvencional, saltei para corajosa, inventiva, apaixonada pela vida e pelas pessoas. E, sei, muitos outros nomes ainda virão até o dia de minha morte.   Você pode pensar: “É, mas essa aí teve sorte. Achou alguém bacana”.   Mas não foi simplesmente o outro que me deu tudo isso. Tem o outro lado da questão que é o que cabe a quem recebe. Tem muita gente que nem vê que recebeu. Que nem vê que pessoa generosa ela teve ao seu lado e continua recitando a mesma ladainha de que todos falham com ela, que sempre dá e não recebe… e blá, blá, blá, como foi o caso da mulher que me antecedeu na vida do meu Novo Amor de três décadas.   Fui eu que fiz muita coisa com o presente que o outro me deu. Fui eu quem valorizou e multiplicou o presente que, em si, poderia ter sido jogado no lixo.   Não fique esperando o príncipe encantado nem a “mummy-poderosa” virem realizar os seus sonhos. A varinha de condão, e ela existe, é um objeto interno, informo aos desavisados. Ela está dentro de você.   Abra as gavetas velhas e esvazie-as, enfrente os seus fantasmas que exigem obediência, pare de bancar a vítima de quem te criou. Agindo assim, você vai achar sua varinha de potência para cuidar bem dos seus interesses.   Dê e receba novos nomes para você, ao invés de ficar sofrendo pelos que você recebeu e não gostou.   Passe sua vida tendo mais e mais nomes.   É muito mais rico e divertido!

Sua majestade está morta

O que me inspirou a escrever sobre o tema foi a visão de um astro de sucesso – não suficiente ainda para ter o seu próprio jatinho (que injustiça!) – que compartilhava conosco, pobres mortais, o espaço do portão de embarque. O dito cujo tinha um ar de majestade flutuando sobre o piso. Não, decididamente os seus pés não tocavam o chão e seus olhos também olhavam o infinito. Aquele olhar superior, que não cruza com o do outro. Cara de zumbi – que me perdoe –, cujo olhar não se dirige aos outros. Só olha para si e para a manutenção daquele lugar. Talvez como aquele personagem do Pequeno Príncipe que deixou de ser humano e virou cogumelo. Talvez… Mas, por definição, tem que ser assim. Um verdadeiro rei não pode estar “presente” ou junto dos demais, curtindo o que se passa naquele momento. Ele está na redoma empoeirada – como um animal empalhado no museu –, oferecido ao olhar do outro que fica tranquilo ao se certificar que o rei está lá, no seu lugar de glória imutável e empoeirada. Um ar ensebado, empoeirado e sem vida como as flores artificiais que eu vislumbrava no balcão da empresa aérea e que, se fossem vivas, seriam renovadas. Não haveria tempo para acumular sobre elas poeira e detritos, provas inexoráveis da fixidez e da morte. O rei está nu e ninguém notou… O rei está morto e ninguém notou… Mas está empalhado e engana bem quem quer ser enganado por também estar morto – a morte-zumbi, vida-morta – e que, por isso, não pode reconhecer um outro morto. Morto não vê mesmo. Morto dorme. Para os vivos, que são os que conseguem enxergar no mundo e que não são tantos assim, os olhos de vidro do rei-empalhado reluzem falsamente, pois lá dentro não há desejo, não há alma, não há vida… E, quem diria, o pobre-mortal-rei, faz tudo isso para se sentir amado. Que engodo! Engodo porque essa é a maneira de ser amado como o intocável, o não castrado, o perfeito. Como dizemos: sua majestade, o bebê, no qual o grupo projeta todas as perfeições almejadas, e para isso usa o pobre infeliz como o “eu-ideal” dos fiéis que o elegem seu Deus (o Outro Original). O reizinho passa a ser uma máquina de fazer os outros gozarem dele. Ele tem que ser só, no lugar de perfeição. Se mostrar fraqueza, seus seguidores o deixarão impiedosamente. Quantos casos como esse conhecemos: desportistas, artistas, celebridades, enfim. Eles são máquinas de adoração usadas para que pessoas inseguras se projetem em seu sucesso, mas não são donos nem de si mesmos. Sua majestade, o bebê. Pobre ser que abandonou a sua prerrogativa de estar na vida e retornou ao lugar de viver para o desejo do outro. É rei, mas rei-criança. Arremedo de Deus. Ser solitário sem laços baseados em seu próprio desejo, na sua própria necessidade de relações. Relações humanas onde possa falhar, rir, brincar, ser ridículo. É tudo sério demais, lugar mantido à custa de deixar de viver. Tudo tem que ficar igual para a segurança dos fiéis seguidores no trono ensebado do deusinho. Surpresas, só as boas. Tudo tem que ser perfeito, senão o deusinho perde o emprego e é esquecido pelo público. Castigo impensável. Que vida desgraçada! Mais parece uma morte. Era assim que acontecia no mundo das relações verticais em que os lideres, as grandes personalidades, eram substitutos de cada seguidor, como uma tela de projeção. É diferente no nosso mundo das relações horizontais em que a troca rápida de informações dá poder a cada sujeito. Hoje, cada vez mais as pessoas querem viver as próprias vidas. Não é mais suficiente gozar com o gozo do outro. Querem ter os seus próprios 15 minutos de glória – leia-se: qualquer conquista desejada – e não mais só ficarem olhando e babando pelos que conseguem.

Santo de Casa não faz milagre

E nem poderia fazer. Aceitar o destaque de um semelhante, de um igual, nos diminui muito. Já que aquele “de casa” milagreiro, tão diferente, poderia ser eu e não é, então não aceito que se sobressaia, que chegue mais longe de onde eu consegui chegar. Fosse  ele de outras plagas, eu aceitaria seus feitos extraordinários – o talento, a sensibilidade, a inteligência… vá lá, o milagre, pois estar acima da mediocridade é sempre um milagre. Mas sendo um irmão, um conterrâneo, não: ou o extraordinário sou eu ou me nego terminantemente a aceitar que qualquer outro do meu mundo seja. Nego o milagre – por mais irrefutável que seja. É uma questão de princípio. Entre eu e o outro, eu sempre, só eu. Mas, peraí, raciocine. Não foi você quem fez o milagre. Foi o outro. E daí? Eu não aceito. Faço de conta que não vi. Nego as evidências. É uma questão de vida ou morte. Vocês já notaram? Santo de casa, quando faz milagre, humilha os que não fizeram. Quem tem asas para voar, numa ninhada sem asas, diminui os cotós. O cotó humilhado tem a sua força. E a sua revanche é negar o sucesso do igual. Nega as asas do conterrâneo. Mais uma das burrices – leia-se: fixações – do narcisismo do ser humano. O cotó que vê o irmão, o da terra, voar, pode até ter a esperança de que dos seus cotos cresçam penas para ele também dar os seus voos. Não os do outro, mas os voos que quiser e puder dar. Não é o fato de um igual voar que nos impede de fazer o mesmo. Arrisco até a dizer que todos temos asas, mas temos também medo de cair, medo das pedradas que poderão nos ferir – pedras essas que já derrubaram muitos pássaros-gente ao longo da história da humanidade. Não nos arriscamos a voar pela covardia do que vão pensar dos nossos voos esquisitos, talvez não tão belos. Então, encolhemos nossas asas, que ficam parecendo cotocos e não são. Ou pior: pedimos a alguém para cortá-las incessantemente, ficando só com a corcova que nos aleija, e aí sim ficamos muito feios. E com um olhar que só vê feiura ao redor. Gente que não desabrocha é infeliz e só vê as coisas feias da vida. Elas existem, é claro, mas há sempre o lado mais bonito de cada objeto, e pessoas sem asas não conseguem a posição favorável para vê-las. Porque as vemos de cima, quando voamos. É… são muitos os que têm medo de voar. Voar é se lançar nas correntes de ar instáveis, sem a solidez que se dissolve no ar. Mas não se iludam. Não tem também solidez na terra, chacoalhada por terremotos, rumos perdidos… Não tem solidez na água, revolta por maremotos, tsunamis. A pouca, pouquíssima, solidez que há está dentro de nós, em nossas asas. Aquelas que por serem só nossas levamos para o túmulo. Santo de casa não faz milagres… ave de casa não voa. Voa sim, invejosos. Voa sim, covardes. Ah, se os covardes e invejosos descobrissem que eles também têm asas! Aí, no planeta Terra, haveria revoada de andorinhas-humanas e tuiuiús-gente se confraternizariam nos ninhos e nos ares. Águias com braços e pernas dariam lindos voos rasgando os céus. Todo tipo de voo… um verdadeiro milagre. Se os covardes se lançassem ao voo, aí e só aí os milagres do santo de casa seriam reconhecidos. Se os invejosos descobrissem e exercitassem suas próprias asas, parariam de andar de asa em asa, com o tesourão na mão, podando as penas nascentes, incomodativas e ameaçadoras dos outros. Voar é preciso, viver não é preciso. Voar é inventar a vida.

2014 é o Ano do Canguru

Vocês já leram o horóscopo chinês?   Tem muitos bichos nele, mas não tem canguru não. Este do qual falamos é brasileiro e precisamos conhecê-lo melhor.   A história começa assim: era uma vez um grupo de Cangurus que numa belíssima manhã de domingo, com muito sol e vento fresco, com muito verde e água ao redor, reuniu-se debaixo de frondosa árvore no Parque Flamboyant.   Eram Cangurus de uma raça pouco conhecida: os Cangurus-gente.   Os Cangurus-gente se reuniram para passear com suas bolsas de carregar bebês. E eles “cangurusavam” bebês e bonecas, portavam balões amarelos e lilases. Cantando passavam por famílias e crianças que brincavam no parque, espalhando a informação de que o bebê humano precisa do corpo da mãe, pele a pele, no começo de sua frágil vidinha.   Esses Cangurus-gente eram, na verdade, médicos, fisioterapeutas, doulas, psicólogos e pessoal administrativo do Hospital Maternidade Dona Iris (HMDI), além de analistas do Grupo de Psicanálise do Século 21 (GPS21) e muitos e doces simpatizantes da causa Canguru. Todos eles participaram no último domingo, dia 22, do Passeio Canguru, uma iniciativa – de muitas que virão – para divulgar esta bela causa.   No HMDI o Método Canguru é competente e amorosamente utilizado na UTI neonatal pela Dra. Maria Bárbara e sua equipe. E eu, como pesquisadora, cheguei, pude conferir e sair de lá com orgulho de ter em minha cidade uma unidade hospitalar de tal qualidade.   Este ano quero abrir uma luta nesta coluna contra o desperdício de riquezas humanas. Começo agora, no raiar de 2014: não dar o seu corpo, o contato direto de sua pele (pano não, pele sim!) a seu filho recém-nascido é desperdiçar calor, segurança, embalo acalentador e o alimento de sua presença e de sua voz, que ele conhece tão bem.   Poder ouvir as batidas do seu coração dá a ele a certeza de que ainda está num mundo conhecido: o universo do corpo materno é a única coisa que o bebê conhece até nascer.   O corpo materno é todo o universo que existe para o bebê. Toda a sua referência de segurança,  o único lugar onde ele consegue se situar.   Se ele não for colocado pele a pele, como numa bolsa canguru, será um descomunal desperdício de segurança emocional, saúde física e desenvolvimento motor.   Dê muuuuiiito mais segurança a seu filho, segurando-o colado em seu corpo. Nutrindo-o com os movimentos do mundo ao redor dele.   Mundo que logo logo ele vai alcançar pela ponte construída pela extero-gestação, que é a gestação da pele – um complemento necessário nos humanos que nascem prematuros aos nove meses de idade. Surpreso? Pergunte a um médico, vá ao Google e confira: o bebê humano, nascendo aos 9 meses de idade, ainda tem vários quesitos nos quais ele é considerado prematuro. e por isso a extero-gestação é preciosa.   Pense no que um abraço amigo e afetuoso lhe proporciona. O abraço canguru com certeza dá muito mais ao recém-nascido, sendo ele tão desamparado. O corpo ampara, sabemos disso.   Por isso o meu convite para que 2014 seja o Ano do Canguru, o ano em que muitas mães tenham acesso a essa singela e bombástica informação. Seja você um propagador. Busque se informar melhor pelo nosso site  www.bebecanguru.com  e se quiser enviar uma mensagem escreva para  contato@bebecanguru.com.   Que em 2014, com o poder que cada um de nós tem na ponta de nossos dedos, os Cangurus-gente, homens e mulheres que carregam seus filhos, netos, sobrinhos e filhos dos amigos no peito, se multipliquem no planeta.   Que em 2014 nós nos multipliquemos como gremlins, gremlins-cangurus (uma graça né!?), que sorvendo da fonte do amor ao humano nos tornemos milhões a infestar o planeta desse cuidado carinhoso tão necessário ao bebê humano.   Mãos à obra! Todo mundo contra o desperdício de tudo que o bebê tanto precisa e que está sendo jogado fora.

A Psicanálise mudou, viva a Psicanálise!

Se perguntarmos, em geral, para que fazer uma análise, a grande maioria responderá que uma análise serve para se conhecer melhor. E se uma pessoa se conhece melhor, daí decorre que ela melhor agirá. É o que nossos pais diziam: – “Meu filho, pense sempre antes de agir”.  Isso era válido até há pouco tempo, não é mais. Vivemos uma mudança de época importante, como nunca dantes vista. Passamos de uma organização vertical, piramidal, do laço social – o pai, na família; o chefe, na empresa; a pátria, na sociedade civil – para uma organização horizontal, que configura o que chamamos de sociedade de rede. Nesse tipo de sociedade não temos mais padrões estabelecidos de comportamento frente aos quais possamos julgar nossas ações como boas ou más, como nossos pais faziam. As pessoas se sentem perdidas, angustiadas, “desbussoladas”, diríamos, uma vez que perderam o norte, não sabem mais como se orientar. Do nascimento à morte, vivemos em um novo mundo ao qual chamamos de pós-moderno, no qual tudo é diferente, tanto em nossas alegrias, quanto em nossas dores. Os avanços científicos nos impactam: escolhem embriões que devem ou não nascer, prolongam as vidas além do desejável, mudam os nossos corpos. Pais não compreendem a música eletrônica dos filhos, nem suas formas de amarem. Filhos não sabem o que fazer com pais que vão durar cem anos. Resumindo, se ontem o que se buscava era se conhecer mais, hoje o do que se trata é de como decidir, como escolher frente às múltiplas possibilidades de um mundo flexível. Quando temos dez opções e temos que escolher uma, a única certeza que temos é a de que perderemos nove. Daí as pessoas se imobilizarem de angústia. A psicanálise que fazíamos anteriormente era baseada no Complexo de Édipo, como ficou popularizada. Podemos dizer, grosso modo, que o Complexo de Édipo foi uma genial intuição de Freud para explicar como nos estruturávamos psiquicamente, como nos ligávamos ao mundo. Em linguagem atual, poderíamos vê-lo como um software, uma interface operacional entre a pessoa e seu meio. Convenhamos que foi um fantástico software muito mais duradouro que os atuais, que já no lançamento são velhos. Durou cem anos. Foi tão convincente que parecia que seríamos todos e para sempre edípicos. Pois bem, hoje necessitamos de uma psicanálise pós-edípica, que possa ler os novos sintomas e o novo homem da globalização. Devemos aos avanços de Jacques Lacan essa nova clínica psicanalítica. Nela, o que se pretende não é fazer o analisando saber mais, mas, quase ao contrário, o intuito é de lhe possibilitar detectar mais rapidamente os limites do saber, o impossível a conhecer, e frente a esse furo no saber, apresentar uma resposta inventiva, responsabilizando-se por ela. Esse novo tempo é o da invenção responsável. É o tempo da consequência. O analista deve emprestar consequência aos ditos do analisando, e não tanto buscar a revelação de um sentido oculto. Para tornar mais sensível o que queremos dizer com se responsabilizar pelo que não pode ser dito, pensemos no amor. Será que alguém pode afirmar com segurança a razão do seu amor? Sabemos que não, haja vista o insucesso das “dr”, discussões da relação. A boa forma de arrumar uma briga é sentar para conversar sobre o relacionamento amoroso. O amor nos evidencia que as coisas mais importantes na vida não podem ser explicadas racionalmente: o prazer de um banho de cachoeira, o abraço silencioso em um filho, o orgasmo etc. Não é a palavra racional que capta esses sentimentos, é a palavra poética que, em sua equivocidade, compromete quem a escuta. O sentido é dado por você, é de sua responsabilidade. A psicanálise do século XXI deve possibilitar a cada um a experiência de uma expressão singular, necessariamente criativa. Caso contrário, a opção é virar genérico, exemplo em livros de auto-ajuda, de uma qualidade de vida insossa e massificada. Artigo Escrito pelo Dr. Jorge Forbes.

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós

Liberdade de quê mesmo? Da prisão do padrão. O que caracteriza uma espécie é o que os elementos desse conjunto têm em comum. Ou seja: no que são iguais. E o que caracteriza a espécie humana? O fato de cada um ser único. De ninguém ser igual a ninguém. Nos humanos o normal é ser diferente. No ser humano o normal é ir se transformando até o dia de sua morte. Rousseau afirma que “(…) um animal é, ao fim de alguns meses, o que ele será por toda sua vida, e sua espécie, ao fim de mil anos, o que ela era no primeiro desses mil anos”. Enquanto isso, nós, humanos, acordamos, nascemos a cada dia diferentes do dia anterior. Aprendemos sempre e inexoravelmente, se não estivermos doentes. Quando nos obrigamos a sermos iguais, entramos na caixinha (ou seria caixão?) da mentira, nos perdemos de nós mesmos, murchamos, secamos e morremos vivos. Os séculos 19 e 20 nos padronizaram. Tentaram nos fazer iguais para trabalharmos nas fábricas e escritórios, todos saindo de casa e voltando à mesma hora – o inferno da hora do rush. Nos levaram a consumir as mesmas coisas. Nos impingiram uma igualdade falsa, inexistente, para que, como cordeirinhos, andássemos todos para o lado que queria a sociedade e fizéssemos o que não era do nosso desejo, mas do desejo de um grupo qualquer, de um outro. Fomos levados a mentir sobre nós mesmos, pois ser diferente era ser “anormal”. O mundo padronizado nos dividiu entre desejo e aceitação e nos fez mentir o tempo todo. Negamos a nossa interpretação porque ela tem que ser a padronizada. Negamos o nosso desejo para sermos aceitos. Negamos a nossa singularidade e nos afirmamos como iguais para sobrevivermos no mundo padronizado. Por isso nos perdemos de nós mesmos. É isso. Esse mundo padronizado nos impeliu a mentir o tempo todo. A negar o que queremos, vemos e sentimos. O mundo padronizado era uma prisão de códigos e de modelos. Mas, e ainda bem que, segundo Luc Ferry – o maior filósofo francês da atualidade -, “O ser humano se difere do animal não é pela razão nem pela sociabilidade, como cremos de hábito, mas pela sua capacidade de se soltar, de se emancipar de todos os ‘softwares naturais’”. Ou seja: não somos prisioneiros de um modelo. Nem a natureza nem o passado nos impõe um modelo porque somos seres transformadores de nós mesmos e do mundo. “Nisso está nossa liberdade, entendida como a capacidade de escapar de todos os códigos, de se emancipar de todas as categorias que funcionariam como prisão”, para citar Luc Ferry de novo. E a prisão nos tira o sol, o céu, o vento fresco, as escolhas, a construção… nos tira a vida. Antes vivíamos na prisão do padrão. Tristes criaturas que andavam livres pela ruas mas levavam a prisão dentro de si… zumbis. Acordem! O mundo mudou. Não estamos mais na era do padrão. Estamos na era da invenção. Agora, novidades no pedaço: a nossa coluna “Divã do POPULAR” é um espaço aberto a pensar a psicanálise e a ajudar as pessoas a pensarem suas vidas. Sob a minha coordenação, este espaço será aberto a contribuições de outros profissionais. O psicanalista Jorge Forbes, estudioso da pós-modernidade e muito conceituado no País, será o primeiro convidado do Divã do POPULAR, que publicará seu artigo na próxima semana. Aproveitem, degustem, aguardem outros convidados que enfeitarão e enriquecerão a nossa coluna falando de psicanálise e do ser humano a partir de sua singularidade. Vamos viver o que pregamos. Vamos nos encontrar aqui no jornal em nossa maneira única de ver, pensar e escrever. À mesa, pessoal. O banquete está servido.

O que não se fala em família

Nas famílias não se fala do que verdadeiramente importa. É um cotidiano pleno de irritação e cobranças surdas, como se responsabilizássemos o outro pelo nosso momento de infelicidade.   Olhos crispados culpando o outro num silêncio acusativo.   Existe uma covardia no silêncio. Não falamos para não sermos pegos em nossas palavras, mas acusamos e vomitamos silenciosamente o nosso mau humor e a nossaraiva através da nossa cara e do nosso corpo.   O mundo padronizado da era moderna (século 20) produziu pessoas em formas, como em uma fábrica. Como consequência, o ser humano, que é diferença pura, acabou adulterado e aprisionado em padrões e conduzido a uma vida infeliz.   Dizer o que se pensava – mesmo quando se chegava a dar conta de pensar fora do padrão – e falar o que se sentia meeesmo não geravam aceitação imediata.   Consequentemente, para não perdermos nosso lugar na vida do grupo, recalcávamos, engolíamos, pensamentos e sentimentos.   O que engolíamos ia estragando nossa vida interna, dando enjoo de estômago até que, para nos aliviar, vomitávamos a nossa frustração e sofrimento nos mais próximos.   Tomando o título do livro de José Ângelo Gaiarça A família de que se fala e a família de que se sofre, podemos dizer então que a família é um mal em nossas vidas?   Longe disso. Família é o lugar por excelência onde despejamos nosso mal estar. Em seguida vem o cônjuge, depois os amigos e colegas até chegar ao mundo inteiro recebendo o nosso ódio por estarmos infelizes.   Já viu aquelas pessoas que assistem à televisão xingando o que aparece na telinha? Deve ser um bom exercício para desopilar o fígado cheio de raiva de tudo. Afinal, alguém tem que ser o culpado do estômago dando voltas e tentando digerir a comida ruim que foi deglutida pela escolha do comensal. Ele pensa, porém, que a comida lhe foi enfiada goela abaixo. Que os outros aguentem o vômito então.   O que tento dizer “over and over again” nesta coluna é que estamos numa nova formatação social em que não há mais as certezas do caminho certo, do bem e do mal, mas a escolha contextualizada diante de cada situação.   E nesta nova maneira de vivermos juntos, o tema “felicidade” tem um lugar central.   Por que será?   É porque viver sem se mutilar para pertencer já é possível. Antes, fazer diferente era tão altamente punido que não valia o custo-benefício. Uma mulher desquitada até a década de 70 que o diga. Era pedrada de todo lado!   Largar uma profissão promissora para fazer algo do próprio prazer era garantia de fracasso certo.   Hoje alguém inventa um modo de se sustentar com prazer e consegue colocá-lo no mundo com chance de dar certo. Como uma amiga que inventou um site de vender enfeites da vovó e está bamburrando.   O mundo padronizado fazia o ser humano infeliz e ao mesmo tempo impossibilitado de falar dessa infelicidade.   Era um mundo injusto no sentido de impor ao ser humano uma igualdade mutiladora e roubadora de prazer.   Hoje o desafio é achar o rumo do que queremos. É inventar um modo de viver que não nos deixe “os errados”, nem vítimas, nem acomodados.   Lugar para pôr no mundo já tem. Meio caminho andado, portanto.   Do que não se fala em família então?   Não há como falar do que não se assume com responsabilidade. Quando pensamos que o mal estar vem de fora, vem do outro e não de nossas próprias atitudes, reclamamos impotentes de tudo, mas não conseguimos falar do que de fato incomoda.   Para bem dizer o que está doendo ou o quanto se está infeliz, por exemplo, é preciso não ocupar o lugar da vítima e não tentar cobrar por telepatia. Não adianta esperar que minha cara azeda faça as pessoas ao meu redor acordar e ver que elas precisam fazer algo que mude o meu estado de espírito.   Tem alguém para cuidar de você melhor do que você mesmo? Se tiver, terceirize e pague o preço exigido.

Ter uma vida sem esperança

Este título tem cheiro de que vamos falar de pessoas tristes, sem sonhos e sem perspectivas. Não é isso que sugere a ideia? O dicionário dá uma definição que corrobora: esperança é a expectativa otimista da realização daquilo que se almeja. Na psicanálise dizemos que alguém pode viver com uma de duas expectativas: a de ser completo ou a de viver uma vida sem esperança. Sem esperança de quê? De viver uma vida sem problemas, sem sofrimentos e sem perdas. Ao contrário do que podemos pensar, viver uma vida sem essa esperança nada tem a ver com viver triste e vencido. Tem a ver, isso sim, com legitimar o tropeço e a falta. É nesse momento que uma vida sem esperança pode se tornar inventiva, construtiva e vitoriosa. Assim, com esse espírito, podemos construir uma vida qualificada e não eternamente insatisfeita porque sempre cheia expectativas de perfeição. O dicionário também dá outra definição de esperança: aquilo que se espera, que se almeja, mesmo que pouco provável, ilusório, vão. Não existiria música se tudo fosse som. A vida é feita de som e silêncio e o silêncio é quando não há,perdeu, falhou. Ter uma vida sem a esperança de não ter dor. Vai ter sim e nós aguentaremos, passaremos e sairemos melhores lá na frente. Ter uma vida sem a esperança de sermos sempre compreendidos, de termos um grupo que faça nos sentirmos amparados. De ter uma grande causa à qual possamos pertencer para dar sentido às nossas vidas, nos esquecendo daqueles que, ao nosso lado, passam a necessidade até de um olhar, um sorriso, uma palavra, enquanto mantemos os olhos fixos num horizonte longínquo, pensando que uma grande causa não pode estar dentro de nossas próprias paredes. Ter uma vida sem a esperança de chegar a não errar. O mundo sem erro não existe. Eu, você e todo mundo morreremos errando. Aqui chegamos à terceira definição do dicionário para esperança: expressão de convicção ou certeza de que aquilo que foi mencionado NÃO vai acontecer (ainda que se pensasse ou desejasse que sim). Por exemplo: “Aumento de salário este mês? Que esperança!” Então eu digo: poder comer a omelete sem quebrar os ovos? Que esperança! Não se frustrar o tempo todo com as pequenas e grandes coisas? Que esperança! E o verbo esperar, já que estamos falando tanto de esperança, o que dele fala o dicionário? Fala que esperar é aguardar, supor, imaginar, contar com. Podemos aguardar que o que desejamos aconteça. Podemos até mesmo contar com certeza que alcançaremos nosso desejo. Mas diz nosso Chico Buarque: “Quem espera nunca alcança”. Eu digo: Quem espera, espera, espera… aguarda, supõe, conta com. Quem perde a esperança de alcançar, levanta a mão e alcança. Quem perde a esperança de alcançar começa a colher, ver o que está já pronto, ali na frente. Já o esperançoso olha muito longe, querendo tudo muito idealizado. Perder a esperança é maravilhoso porque é começar a viver já, agora. Se eu quero isso, já ponho a mão na massa e começo a fazer e a curtir. É parar de esperar o futuro perfeito chegar e usufruir do presente imperfeito mesmo. É uma imperfeição perfeitamente saudável para ser digerida sem causar diarreia nem dor de cabeça. É um presente que nos é presenteado a cada dia de vida para ser comido e bebido na hora, senão murcha, derrete, desaparece. Não espere o grande momento, a grana aumentar, a viagem dos sonhos, o prêmio da loteria. Comemore brindando e degustando o banquete que é estar vivo, ter o sol, o vento, os sorrisos, os olhares, apesar do escuro, do mau cheiro, do horror. A vida é um kit completo. Não espere acabar o lado ruim para começar o bom. É junto mesmo que a coisa funciona, como um sanduiche com muitos ingredientes cujo resultado final pode ser muito saboroso sim.

Por que o amor azeda.

Acho que todo mundo se pergunta por que é tão comum uma relação começar linda, alegre, fortalecedora, deliciosa e depois azedar.   Por que as relações começam acrescentando, enriquecendo e depois de certo tempo passam a nos dividir, diminuir e cercear? Será essa uma doença incurável do amor? O destino inelutável de todo amor (não ser de amores como Romeu e Julieta, Love Story ou Titanic, em que a morte separa o casal antes que a doença estrague o que era bom?).   Ai, ai, ai, dá até preguiça de começar… mas, vamos lá!   É que as relações humanas, segundo Lacan, são vividas em três registros (contexto em que se faz um proferimento): real, simbólico e imaginário.   Quando uma relação se inicia cada qual fala de si, se apresenta, conta sua história, diz como é, do que gosta, dos projetos que tem – estamos no simbólico. O outro lado escuta porque quer saber do amado. Quer saber de tudo. Quer entender, trocar, construir.   Depois que tem, quer manter. Aí o bicho começa a pegar porque, da troca de ideias, da criação de mundos melhores, o mote da relação passa a ser a tentativa de parar, fixar o outro para não ter mudanças, para a pessoa se sentir segura – aí estamos no imaginário, que é a relação narcísica, aquela em que o outro é minha posse, eu sou dono do outro.   Existem dois tempos no amor, então:   1º tempo: o mundo se abre em perspectivas.   2º tempo: o mundo se fecha para não se correr riscos de perdê-lo.   Aquilo que era tido como bonito no começo – “Você é tão anticonvencional” – depois é visto como errado – “Você não pode agir assim, fazer aquilo” – e etc, etc… Tudo por medo de perder, medo conservador.   Falar constitui o que de humano há em nós quando nascemos. Continuar falando vai nos constituindo e nos transformando ao longo  de toda a vida. Porque, quando falamos (se o outro deixar), vamos nos escutando, tendo o tempo para nos percebermos e conseguirmos nos deslocar, aprender e melhorar. Se isso não ocorre, estagnamos, não crescemos e começamos a descida rumo ao empobrecimento.   E paradoxalmente, é justamente quando a relação vai se prolongando que passa a não haver mais espaço para sabermos quem está do nosso lado. Há os que não falam mais de si e os que, como uma criança que acha que é dona do outro, pensam que o parceiro não só “tem que” ouvir como também aguentar tudo dela.   Ficamos tão previsíveis porque a única coisa que objetivamos – por baixo de tudo o que fazemos – é limitar e controlar o outro para que não corramos o risco de perdermos. Ou também para impedir que o outro faça o que eu não gosto, impedir que seja do seu jeito. O outro tem que existir para mim e do jeito que me agrada sempre.   Quando não estamos satisfeitos com o que somos queremos obter do outro. Não temos para dar. Além do mais, existem os que dão sem ter ou sem querer para manter o outro perto de si e de novo: para se sentir vazio e querer se completar com o outro.   Os seres amorosos estão condenados a aprender indefinidamente a língua do outro, tateando, procurando as chaves, sempre passíveis de serem revogadas. O amor é um labirinto de mal-entendidos cuja saída não existe.   Não há garantias, não se pode aprisionar o outro dentro dos nossos braços – por amorosos que sejam.   Viver é perigoso. Ter é perigoso. Saber ter é poder saber-se o tempo todo no risco de perder, como acontece com a nossa vida e o amor da nossa vida.   O amor azeda quando passamos a ser dominados pela necessidade de garantir que ele não acabe e o transformamos em uma prisão. Se alguma garantia há é quando, nas palavras da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, “paixão dura enquanto estivermos associando prazeres incríveis àquela pessoa”.   Amor encarcerado é amor azedo.

A psicanálise mais perto das pessoas

  A psicanálise era assunto para poucos privilegiados. Parecia doce gostoso nas vitrines de confeitarias luxuosas: só com muito dinheiro para ter acesso a ele. Não mais. Meus artigos, por exemplo, são psicanálise simples, direta e informativa. E com sorte, com um gostinho de literatura, de bom humor que dão o prazer da leitura e não só o da informação. Tem muito de Jorge Forbes nisso. Ele é o analista brasileiro que mais longe está indo no estudo e aplicação dos últimos achados teóricos de Jacques Lacan.   Ele é capaz de frases como esta: “A psicanálise do século 21 é uma administração de qualidades e não dos defeitos. E é muito difícil suportar as qualidades, todo defeito é solidário e a qualidade é solitária”. Julgue por você mesmo.   Forbes produz desdobramentos da teoria dos últimos anos de vida de Jacques Lacan, cavando pepitas teóricas que apontam para a renovação da psicanálise do começo do século 20 para acrescentar propostas de rumos necessárias para o século 21. Renovação que é expressa em idéias como a “conseqüência”. Freud não mais só explica; implica. Ou seja, um analista busca a compreensão, os porquês, na medida do que é necessário, mas acima de tudo busca fazer um trabalho que incidirá sobre as atitudes da pessoa. Quanto a isso Lacan ensina a não olhar para o que a boca está dizendo mas para onde os pés estão indo. Chega de blá-blá-blá explicativo e justificativo, já que “na vida não tem ensaio geral”. O que se vive já é a festa, o carnaval, ou o inferno, o enterro… o fato, o feito. Então, é isso que estou dizendo: que existe uma renovação na teoria psicanalítica que se propõe a trabalhar em um mundo sem ideais, sem verdades acabadas, um mundo globalizado e, portanto, com grande troca de informações, valores e possibilidades. As questões dos sujeitos hipermodernos, que somos nós, são bem diferentes das do começo do século 20, quando foi forjada a psicanálise. Continuamos a nos alicerçar nela, sim, sem dúvida, mas os acréscimos – muito mais do que as retiradas – se devem a novas necessidades. São outros os conflitos, as fontes do sofrimento humano. Já sabemos que só saber não é necessariamente a condição para mudar, para agir de forma melhor para si mesmo. É essa a ênfase da psicanálise do século 21: fazer cair a ficha de que, explicando ou não, o sujeito vai continuar a viver a vida ruim que busca justificar. Se ele não se decidir a usar as pernas que tem, ninguém virá pegá-lo pela mão e conduzi-lo ao paraíso perdido. E se alguém vier tentar conduzi-lo, vai cobrar o preço da sujeição ao condutor de ceguinhos. Sim, porque o caminho é o do outro, não se esqueça. A psicanálise hipermoderna cobra em dinheiro o seu trabalho para não cobrar de outras formas e está aí para possibilitar o sujeito a se conduzir por seus próprios caminhos, já que estamos descobrindo que não dá para confiar nos caminhos dos outros. O “eu sei o que é melhor para você” não convence mais. Nem eu mesmo sei o que é melhor para mim de antemão. Em cada situação há que se fazer escolhas, construir, destruir, inventar e sustentar. E nos sustentar em um mundo sem padrões, sem escoras, sem desculpas, só é possível se nos responsabilizarmos pelo que nos acontece e pelas respostas que daremos ao imprevisto – como agiremos de acordo com o que nos chega no dia a dia. Não cola mais dizer que o chefe é um chato, que a mulher é cobradora, que o marido é um bolha e você um sofredor(a) que “tem que aguentar” esses “karmas” na sua vida. E você, o que faz com o que está lhe espetando e estragando os dias de vida? Reclama, justifica e explica? Mude de século. Isso já não cabe mais.