Luciene GodoyPintura em estilo oriental (Autor: José Eduardo Agualusa)
Daqui a poucas horas vamos passar de um ano para o outro. Será que ao passarmos mudaremos mesmo de ano ou repetiremos o anterior?
Acho que aprendemos com a natureza que a vida anda em pulsações: manhã/tarde, dia/noite, primavera/verão, etc. Pois, nossa vida simbólica também, valendo-se, porém, de marcadores de mudanças de tempos, de períodos, como é o caso da passagem de ano.
No ano que passou fiz isso, nesse que entra quero aquilo, desejo alcançar tal e tal objetivo, e assim a vida caminha na pulsação do parar e usufruir/ do prosseguir e criar.
A combinação pulsante e dinâmica é: criar/usufruir/cortar. Depois, recomeçar de novo o ciclo, porém, não da repetição neurótica, mas da criação. Até porque cada dia é novo mesmo, mas precisa ser visto (criação), e vivido (usufruto) como tal, mas ele acaba e lá vem outro (corte).
É como campeonato de futebol. Um acaba, vem o outro e nisso vamos escrevendo nossa história e tornando realidade o que as circunstâncias de nossas vidas nos oferecem apenas como possibilidade.
Achei genial, e por isso partilho com voces o que um cliente amante da computação disse: “Vamos ver qual vai ser minha versão desse ano!”.  Sabemos bem que temos as versões atualizadas dos computadores, com falhas equacionadas e inovações, então pensei: “Por que não investirmos em uma versão melhorada de nós mesmos a medida que o tempo passa?”.  Sonhando demais? Não acho!
Bem explicado! O novo a que me refiro não é comprar mais um objeto, o modelo mais recente. Falo aqui de inovações que podem se dar no “OLHAR” ao ver o que você já tem de maneira nova.
Acho mesmo que a maior pobreza do ser humano é não perceber o quanto tem, mas ficar sempre ligado ao que não tem. Ter um novo olhar para o que você é e tem e fazer novas utilizações: daquela calça que nunca foi usada com aquela blusa, e que, no entanto, fica linda, se faz uma nova roupa sem que se tenha que comprar mais.
Olhar ao redor com olhar reciclador – usando o velho para criar o novo. Como a amiga que, ao ganhar de herança a velha penteadeira inútil da avó, a transformou numa escrivaninha única que nenhum dos amigos admiradores podem comprar.
Então, que tal incluir nos seus projetos para o próximo ano, primeiramente gostar e usufruir do que você já tem, e das maneiras as mais variadas, para, só depois, pensar em comprar algo novo? Eu garanto, “redescobrir” o novo em algo que já temos é tão ou mais prazeroso do que comprar uma novidade qualquer.
Feliz versão 2011 para todos!!

Publicado originalmente no jornal O Popular em 30 de dezembro de 2010.