Sunrise by the Ocean (Vladimir Kush, 2000)

Luciene Godoy
Nessa passagem de ano convido-os não somente a brindar a entrada de um novo ano, mas de um mundo novo.
O mundo não está simplesmente mudando. Estamos numa revolução que inverte o tipo de laço social que nos une em sociedade.
Termos como modernidade e pós-modernidade não definem mais o nosso tempo. Estamos numa nova organização sócio-política-ecônomico-afetiva. Sociólogos como Gilles Lipovetsky a chamam hipermodernidade. Filósofos falam de uma nova forma de laço social que Luc Ferry, por exemplo, chama de “um novo amor”.
Estudiosos do nosso tempo, como o psicanalista brasileiro Jorge Forbes, afirmam que estamos vivendo uma revolução imensa, nunca antes presenciada pela humanidade.
O que muda radicalmente neste novo tempo é que, pela primeira vez na história da humanidade, a organização dos laços sociais, as formas de relacionamento, não se dão pela obediência a uma figura superior (verticalidade), não de cima para baixo, mas pela troca com o semelhante em rede, lado a lado. Tendemos a não crer cegamente em partidos e instituições. Estamos mais próximos uns dos outros, porém, em nossas diferenças. O ser humano como “um” e não como “um grupo” vale mais.
Chegamos à era em que o lado emocional está no foco. Vide as empresas mais bem-sucedidas: são elas as que levam em conta o lado afetivo, as relações, o jeito de ser de cada um.
Estamos na era em que as diferenças são aceitas e valorizadas. Pela primeira vez na história da humanidade estamos vivendo num mundo de relações horizontais, em rede, com intensa troca de informações, ou seja, poder – o poder do saber – correndo de um para outro sem muita intermediação.
Teoricamente falando, anote no seu caderninho para se situar daqui para frente, estamos num segundo humanismo (o primeiro foi o do Iluminismo), aonde o homem é considerado, não mais na sua parte de razão, mas na sua parte de desejo.
E o desejo é o que de mais particular e único alguém pode ter. É respeitar o ser humano naquilo que ele tem de mais seu, de absolutamente singular.
O novo mundo já se faz anunciar. Essa nova forma de se relacionar já está por aí na diversidade de relações vividas sem serem consideradas “erradas”. O fora da norma, que é próprio do ser humano, começa a ser aceito.
Parece que está-se admitindo a grande descoberta que a psicanálise já tinha feito cem anos atrás: que o ser humano é movido pelo desejo.
Sim, o mundo é movido pelo desejo, seja ele consciente ou inconsciente.
Então só me resta dizer, feliz mundo novo! Novo mundo de relações nunca antes vividas.
Feliz mundo novo!

Artigo originalmente publicado no jornal O Popular em 30 de dezembro de 2011.