Fala-se muito mal das sogras.
Parece que ninguém olha de lado e vê a participação do filho-comandado na questão.
É… atrás de uma sogra poderosa sempre tem um(a) filho(a) banana.
Mas, continuando o assunto desagradável, façamos uma lista dos defeitos que se atribuem à sogra: intrometida, palpiteira, censuradora, vítima, chantagista, possessiva e outros.
Faço o convite para listarmos os atributos do filho, homem ou mulher, que, não vivendo sua condição de adulto, continua sendo o filho-teleguiado por mamãe. No fundo é o(a) filhinho(a) “querendo” continuar a ser criança e ter mãe.
Para a psicanálise mãe não existe, existe a função materna que é: pensar pelo filho, adivinhar o que ele precisa e quer porque o bebê não sabe de nada mesmo. E isso é muito bom. Quanto mais uma mãe (de um bebê – bem entendido), sabe no lugar dele, menos ele é frustrado em excesso e pode crescer com mais segurança.
Porém, para o horror das mães-magestades (não todas, só aquelas que se agarram ao bebê, quer dizer, ao poder), esse tempo em que nossos filhos são bebês passa e aí vem a necessidade de uma outra função: a paterna.
Função é a atividade própria de um cargo, é uma serventia, uma utilidade em uma determinada situação, e a função paterna é a que se segue à função materna – ou pelo menos é o que se espera, se as coisas evoluírem.
A função paterna é, ao contrário da materna, mostrar a potência que o filho tem. É convocar o filho a fazer por si e para si. É agir de tal forma que provoque no final a capacidade do filho se ver como sendo potente.
Se são funções, são lugares que podem e devem ser ocupados por vários. Todo adulto que se arvora em parasitar a mente e os atos de um ser humano no momento em que ele já poderia ter aquela autonomia está fixado na função materna.
A função materna é constituidora. Quando passa do limite da necessidade, torna-se debilitadora. É o excesso que é danoso.
A função paterna é fortalecedora. Uma precisa da outra para que a tarefa de ajudar uma criança a virar adulto possa ser bem sucedida.
Ok, ok… mas onde é que fica a sogra nessa história?
Onde?
 
Fixada, ora! Feito uma estátua no pedestal de mãe-eterna. Onde deveria haver uma função vital, importantíssima no começo de nossas vidas de humanos, fica uma eternização.
Eternização de quê?
Da mãe-fóssil. Porque, se ela evoluído tivesse, teria começado a fazer a função paterna. A se comprazer com os vôos e audácias dos filhos. E exatamente por não ter se fossilizado na posição de mãe, nem conseguiria ser a sogra-malvada, quer dizer, bruxa malvada.
Sogras que evoluíram da função materna seriam amigas, exemplos de sabedoria, de vida vivida, para o próprio filho(a) e também para o genro/nora.
Mas não nos esqueçamos o que parece óbvio: só tem mãe se tiver filho e filho-bebê.
Porque mãe é só de bebê. Mãe de adulto é um outro adulto – muitíssimo especial, sem dúvida, mas um adulto.
Então, filhos, depois de terem crescido, deixem o infantilismo. Mãe merece o respeito que elas conquistaram por todos os seus atos e não porque levam o nome de mãe.
Se os filhos, homens ou mulheres, tomarem as rédeas de suas vidas e seus casamentos, o mundo será poupado de ter sogras.
Adultos serão adultos e não criancinhas cuidadas até a morte pela mamãezinha prestimosa.
Abaixo às sogras? Discordo.
Abaixo, isso sim, aos filhos -bananas, desejosos de não crescerem jamais, que deixam as sogras invasivas reinarem sobre seus casamentos.
Crescer é estar só na vida. É estar sobre suas próprias pernas e não carregados no regaço de mamãe como quando, de fato, não tínhamos pernas fortes o suficiente para caminhar.
Sogra só existe na vida de quem não cresceu.