Escolha as suas palavras

Valéria Belém e Luciene Godoy

Perguntaram seu nome, ao que ela respondeu: “Idiota.” Esse é o ponto mais pavoroso da história de uma menina de 4 anos, relatada pela assistente social que atendeu ao caso de abuso ocorrido em agosto deste ano nos Estados Unidos. Mãe e padrasto foram presos em função dos maus-tratos perpetrados. Além das marcas visíveis no corpo, B. (nome fictício) internalizou um nome a partir da ofensa frequentemente proferida pelo padrasto, que admitiu usar a palavra ao se referir à menina “em tom de brincadeira”.

Acontece que eu, você e mais 7,2 bilhões de pessoas que povoam este planeta vivemos e nos desenvolvemos pela cultura que nos cerca. Pelo nome que nos deram, pela família que nos acolhe, por aquilo que ouvimos falar de nós.  Diferentemente dos animais, existimos porque o outro fala de, para e sobre nós – no espelho, a mãe diz: “Quem é o bebê da mamãe?”; a criança fala de si: “A Mariana quer água, papai!”.  E assim vamos nos montando, reunindo discursos e desejos daqueles que nos rodeiam por meio da linguagem.

“O Pedro é tão estudioso!” “Nossa, que menina feinha…” “Você é preguiçoso demais, olha como seu irmão é diferente.” Boas ou ruins, vamos recebendo designações e escrevendo muitas delas em um crachá invisível que carregamos no pescoço. Ou seja, vivemos em um mundo em que o outro nos nomeia e nos dá atributos que ficam impregnados em nosso inconsciente. No caso relatado de B., “idiota” passou a ser ela, a menina desprotegida diante do absurdo de sua vida familiar. Em se tratando de nós mesmos, talvez seja mais difícil percebermos que palavra carregamos sem querer para, talvez, podermos dela (ou delas) nos livrar. “Mãe perfeita”, “funcionário exemplar”, “fracassado”, “doentinha”, “gostosona”… (tudo pode ser revisto) são apenas alguns exemplos.

O interessante aqui é nos darmos conta de que temos a capacidade de apagar o que foi escrito nesse crachá pesado que levamos a toda parte. E para quem pensa que só palavras aparentemente pejorativas nos escravizam, podemos, por exemplo, pensar na tal “mãe perfeita”. Em um grupo de rede social, algumas mulheres conversavam recentemente. Uma das mães relatou já ter ficado inúmeras vezes acordada madrugada adentro esperando o filho chegar, mas também contou já ter dormido, exausta, perdendo a hora de buscá-lo em uma festa. Em seguida, relatos semelhantes pipocaram, vindos das mulheres envolvidas na conversa. Todas mães presentes na vida de seus filhos, porém, reais, que de repente perceberam que o crachá de “mãe perfeita” não era legal – e que dele é possível se desprender para ser mais feliz.

Entender como isso se dá em nossas mentes nos faz abrir portas para uma vida mais leve e, veja bem, nos torna mais responsáveis pelo papel que desempenhamos na vida daqueles que nos cercam.

Originalmente publicado na Revista Zelo, edição nº 37, dezembro de 2016

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