I love Goiânia

 

               Quem é que já foi a Nova York e não voltou com pelo menos um souvenir, uma camiseta com “I love NY” (Eu amo Nova York)?

A NY “deles”, os nova-iorquinos, é para ser amada mesmo. É com intimidade e carinho que não só portam a frase, mas também vivem suas vidas “in love with NY”.

Eu confesso que fiquei surpresa quando lá estive. Esperava uma cidade fria, de cimento e asfalto, com pessoas correndo, se esbarrando sem pedir desculpas, passando por cima dos corpos e das almas em todas as relações. Achava que lá o “Time is money” reinava acima de todas as escolhas.

Não foi o que vi. Vi uma cidade muito limpa, os meios-fios e calçadas mais bem cuidados que conheci. Cidade cuidada com carinho, com muitas flores no público e no privado. Com detalhes arquitetônicos de quem se importa.

O trânsito, apesar de intenso, corre num fluxo assustadoramente eficaz. As pessoas correm, sim, mas sorriem, cumprimentam, facilmente dizem “sorry” por qualquer esbarrão ou pedido. Choquei!

Então, Nova York tem alma? Tem alma e é profundamente amada por aqueles que acharam lá o seu lar. Aqueles que nela construíram uma carreira e uma vida. Vê-se – para quem não é cego – o orgulho estampado na cara das pessoas que ali se construíram: “Eu amo o que essa cidade fez de mim”.

Tenho uma camiseta de Paris com a inscrição “Je suis foule de Paris” (eu sou louco por Paris). Sim, muita gente é louca por Paris porque ela é uma festa, porque é linda e romântica, e, não menos importante, pelo muito que ela nos deu de arte e de pensamento, tendo abrigado durante séculos grandes artistas e pensadores que mudaram nossas vidas.

E nós, será que podemos dizer “I love Goiânia” à nossa maneira, com a nossa “goianidade”? Eu amo Goiânia porque aqui nasci (ou renasci) – de alguma forma. Nem sempre nascemos no dia do nosso parto. Aqui cresci (vários crescimentos) e fiz amigos de infância (aqueles cuja intimidade é imediata e merecem esse nome) – um dos grandes tesouros da vida.

Amo Goiânia porque aqui estudei e aprendi a ser adulta – vivemos fazendo isso até o dia de nossa morte. Aprendi a me relacionar com o sexo oposto – isso também é tarefa que não tem fim, já que quem vive conoscovai se tornando um outro, um outro um desconhecido que buscamos conhecer e viver com ele enquanto conseguirmos fazer valer.

Amo Goiânia porque aqui ganho o meu sustento material. Ganho também muitas razões para existir pelo encontro feliz de tantas coisas e tanta gente que aqui se reuniu, cada um por um motivo. Aqui nos encontramos e nos amamos, cada qual vivendo melhor por ter o que só foi possível possuir por estar nesse encontro de caminhos que é a nossa cidade.

Amo Goiânia a ponto de me sentir uma turista, nela andando às vezes mais vagarosamente a pé ou de carro, apreciando qualquer detalhe que saltou aos meus sentidos, descobrindo e redescobrindo o mundo onde vivo.

Sei que amo Goiânia porque me enfurece aquele que quebrou uma mudinha nova de árvore, que pichou feio um muro bonito, que maltratou de alguma forma essa mãe cheia de filhos dentro de sua enorme barriga.

Me causam mal-estar aqueles que não amam Goiânia, que não fotografam (com os olhos que seja) seus ipês floridos, suas sibipirunas, que não notam a sapucaia majestosa do Parque Agropecuário.

Tem também as pessoas que amam Goiânia fazendo todo tipo de trabalho social e político. Melhorando, tirando e colocando. Fazendo associações, construindo lugares para ser feliz.

Tem os que amam lutando por mudar as injustiças e fazer acontecer um mundo melhor aqui em nosso mundinho goiano.

No aniversário de nossa cidade-mãe, vamos oferecer o presente de sermos filhos amorosos e gratos que usufruam e cuidem bem do que ganharam para que outros também possam dizer junto conosco: nós amamos Goiânia.

 

Luciene Godoy é psicanalista.

 

I love Goiânia

 

Quem é que já foi a Nova York e não voltou com pelo menos um souvenir, uma camiseta com “I love NY”.

A NY “deles”, os nova-iorquinos, é para ser amada mesmo. É com intimidade e carinho que não só portam a frase, mas também vivem suas vidas “in love with NY.”

Eu confesso que fiquei surpresa quando lá estive. Esperava uma cidade fria, de cimento e asfalto com pessoas correndo, se esbarrando sem pedir desculpas, passando por cima dos corpos e das almas em todas as relações. Achava que lá o “Time is money” reinava acima de todas as escolhas.

Não foi o que vi.

Vi uma cidade muito limpa, os meio-fios e calçadas mais bem cuidados que conheci. Cidade cuidada com carinho, com muitas flores no público e no privado. Com detalhes arquitetônicos de quem se importa.

O transito, apesar de intenso, corre num fluxo assustadoramente eficaz, as pessoas correm, sim, mas sorriem, cumprimentam, facilmente dizem “sorry” por qualquer esbarrão ou pedido.

Choquei!

Então, Nova York tem alma?

Tem alma e é profundamente amada por aqueles que acharam lá o seu lar. Aqueles que nela construíram uma carreira e uma vida.

Vê-se – para quem não é cego – o orgulho estampado na cara das pessoas que ali se construíram: “Eu amo o que essa cidade fez de mim.”

Tenho uma camiseta de Paris com a inscrição Je suis foule de Paris, eu sou louco por Paris. Sim, muita gente é louca por Paris porque ela é uma festa, porque é linda e romântica, e, não menos importante, pelo muito que ela nos deu de arte e de pensamento, tendo abrigado durante séculos grandes artistas e pensadores que mudaram nossas vidas, e foi lá que foram acolhidos.

E nós, será que podemos dizer “I love Goiânia” à nossa maneira, com a nossa “goianidade”?

Eu amo Goiânia porque aqui nasci (ou renasci) – de alguma forma – nem sempre nascemos no dia do nosso parto. Aqui cresci (vários crescimentos) e fiz amigos de infância (aqueles cuja intimidade é imediata e merecem esse nome) – um dos grandes tesouros da vida.

Amo Goiânia porque estudei e aprendi a ser adulto – vivemos fazendo isso até o dia de nossa morte. Aprendi a me relacionar com o sexo oposto – isso também é tarefa que não tem fim, já que quem vive com a gente, vai se tornando um outro e sendo um desconhecido para gente buscar conhecer e viver com ele enquanto conseguirmos fazer valer.

Amo Goiânia porque aqui ganho o meu sustento material, ganho também muitas razões para existir pelo encontro feliz de tantas coisas e tanta gente que aqui se reuniu, cada um por um motivo, e aqui nos encontramos e nos amamos cada qual vivendo melhor por ter o que só foi possível existir por estar nesse encontro de caminhos que é a nossa cidade.

Amo Goiânia a ponto de me sentir um turista, nela andando às vezes mais vagarosamente a pé ou de carro apreciando qualquer detalhe que saltou aos meus sentidos descobrindo e redescobrindo o mundo onde vivo.

Sei que amo Goiânia porque me enfurece aquele que quebrou uma mudinha nova de árvore, que pichou feio um muro bonito, que maltratou de alguma forma essa mãe cheia de filhos dentro de sua enorme barriga.

Me causam mal-estar aqueles que não amam Goiânia, que não fotografam (com os olhos que seja) seus ipês floridos, suas sibipirunas, que não nota a sapucaia majestosa do Parque Agropecuário.

Tem também as pessoas que amam Goiânia fazendo todo tipo de trabalho social e político. Melhorando, tirando e colocando. Fazendo associações, construindo lugares para se ser feliz.

Tem os que amam lutando por mudar as injustiças e fazer acontecer um mundo melhor aqui em nosso mundinho goiano.

No aniversário de nossa cidade-mãe vamos oferecer o presente de sermos filhos amorosos e gratos que usufruam e cuidem bem do que ganharam para que outros também possam dizer junto conosco…

Nós amamos Goiânia.

 

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