Ter razão para morrer

Não somos animais irracionais e por isso mesmo todos nós sabemos que vamos morrer. Poucos, no entanto, chegam a saber o porquê.

Ter um valor tão forte na vida a ponto de se tornar uma razão para morrer é privilégio de poucos. É ter algo sagrado pelo qual valeria a pena morrer.

O que seria sagrado a esse ponto para cada um de nós? A vida de uma pessoa amada? A vida de outro ser humano em risco?

Ter uma razão para morrer é um luxo!

É um luxo que só possuem as grandes almas, os seres humanos admiráveis, que transcendem a nossa, também, condição de simples bichos. Somos mais do que bichos. Somos mais do que um corpo biológico que nasce, cresce, se reproduz e morre.

O que nos transcende é o que é maior do que a sobrevivência. É o que nos faz maiores do que nós mesmos.

Bem aventurados aqueles que conseguem ter momentos da sua vida em que o valor da sobrevivência é ultrapassado por algum valor transcendental – que ultrapassa o mundo material. Essa é uma das marcas do humano: a escolha de morrer por algo que excede a própria vida, como por exemplo, o amor (em suas mais diversas formas).

Senão, somos apenas um corpo biológico que come, dorme e espera a morte chegar. A morte desse mesmo corpo que não teve nenhum motivo maior que o desviasse da condição biológica, nada que fosse mais forte do que ele mesmo.

Pensar que podemos escolher a morte diante de certos impasses, que podemos escolher morrer por algo dá um arrepio de medo, tira-nos da inconsequência de viver uma vida no automático, no desperdício de tempo e de momentos banais que, se valorizados, seriam memoráveis.

Como me disse alguém recentemente: “Eu estou fazendo do meu dia a dia uma poesia”. Viver é uma poesia para quem valoriza os pequenos milagres que nos mantêm vivos.

Vive-se uma vida de morto com medo da morte. Com dias mortos, na mesmice pela preguiça (leia-se: falta de querer investir) ou na covardia de não fazer as pequenas coisas se tornarem especiais. O arroz com feijão, se feito com carinho, vira um banquete que nos traz doces lembranças, que tem gosto de infância.

Bem aventurados aqueles que, tendo ultrapassado a escravidão do medo de se arriscar a fazer com que as pequenas coisas fiquem grandes, descobriram uma razão para viver.

Bem aventurados aqueles que, tendo ultrapassado a condição da lei da sobrevivência, têm uma razão para morrer. Esses podem viver uma vida rica e, por paradoxal que seja, ter a morte transformada também em vida pelo valor de seu ato.

O sagrado é o que concerne às coisas divinas, ou seja, o que ultrapassa o banal, é o que torna qualquer coisa muito maior do que se supunha.

A vida de alguém pode ser de um banal sagrado quando essa pessoa encontra algo que a torna maior do que a própria necessidade de preservá-la a qualquer custo.

Veja que não faço um convite ao heroísmo, faço um convite a se valorizar as pequenas e triviais coisas tão maltratadas em nosso dia a dia. Atos heroicos podem acontecer, mas o convite é para transformar o cotidiano em milagre, em divino, em sagrado, pelo valor que lhe damos. Pelo “a mais” que acrescentamos.

É essa e não outra coisa a maneira mais sutil de dar um valor maior ao ato de viver.

Não, não há um pote de ouro no fim do arco-íris. Não, não há um palco iluminado para recebermos os aplausos do mundo pelos nossos grandes feitos. Há nossa vidinha cotidiana que pode, sim, ser mágica sem os holofotes externos.

O bem estar é profundamente interno, só você com você. Pare de esperar e comece a usufruir. De onde você tirar razões para ser feliz virá mais felicidade.

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