Histeria masculina

Isso existe?

 

Histeria e masculino são termos que, dentro do nosso costume, não se aproximam.

 

Histeria é eminentemente feminina. Vem do grego hystéra, referente a útero. Portanto, nada mais feminino.

 

Tradicionalmente, nomeia-se de mulher histérica aquela a quem falta o controle das emoções, que converte em doenças corporais fatos da vida emocional.

 

Depois, começou-se a usar o termo para falar de uma posição subjetiva de um ser humano que não consegue se sentir capaz, potente, tendo valor. Em termos psicanalíticos: não tem o falo.

 

O termo falo, por sua vez, é o símbolo do masculino. É a representação do pênis em sua manifestação de potência. Falar que alguém tem o falo é uma maneira de dizer que tal pessoa está em uma situação de potência.

 

Numa sociedade patriarcal como a nossa, esta é a lógica dominante, o homem que tem o pênis (membro reprodutor) é o mesmo que tem o falo (símbolo da força e do valor social).

 

Freud morreu em 1939 dizendo-se descrente da possibilidade de os homens conseguirem se deslocar da posição agarrada cegamente ao falo, enquanto à mulher também ficaria vetada a possibilidade de se sentir como tendo o falo.

 

Acho que já dá pra pensar diferente no século 21.

 

Temos muitas mulheres que, embora não tenham pênis, são portadoras de falo, já que enfrentam a vida sem intermediários, cuidando com potência de construir o mundo no qual vive.

 

Por outro lado, há homens perdidos na seguinte condição: têm o pênis, mas e daí? É preciso fazê-lo funcionar como falo. Antes o valor já estava dado só no possuir, hoje é no exercer.

 

A histeria é um termo hoje usado para designar a posição do ser humano que tem potência, mas não usa ou não admite que tem.

 

Por isso dá pra pensar a histeria como sendo masculina também. Como uma doença que ataca homens que estão num momento de fragilidade.

 

Ok. Que ela é, hoje em dia, também dos homens já entendemos, mas como é que ela se manifesta?

 

Segura essa…

Ela se manifesta, por exemplo, naquele homem que só é homem quando bebe. Que só dá conta da vida social com algumas na cabeça. Que passa os eventos do fim de semana com seu chopinho na mão. Aquele homem que precisa beber para se sentir forte e capaz. Por isso muitos dele agridem – emocional e fisicamente – suas mulheres (não só): porque estão na sua viagem de potência.

 

Pois é, estes, por sua posição subjetiva (não veem o poder que têm no mundo), encontram-se no lugar da “mulherzinha”. Veja bem: não da mulher que se dá o devido valor, mas daquela cobradora incessante ou da “poderosa” que disfarça na arrogância o poder/valor que na verdade não sente em si.

 

É delicado dizer isso, mas o homem que precisa da bebida para se sentir apto às relações está na posição da mulherzinha.

 

Se você é um desses, depois de ter lido até aqui não dá mais pra fazer de conta que não sabe. Se não é, avise a algum amigo que esteja nessa posição que ela é a posição da criança sem potência. Será que ele vai querer continuar?

 

O caminho não é disfarçar, mas se lembrar de que você pode, sim, ser homem, se sentir um homem, sem a bengala da bebida, que nada mais faz do que lhe manter na posição do fraco.

 

Quantas brigas e agressões acontecem por esse motivo?

 

Muitas mulheres confessam uma imensa solidão com seus homens, que, na hora da diversão, refugiam-se em seu mundo autista e se iludem que estão se divertindo com os outros.

 

Podemos fazer a escolha de ser homem ou mulher. E por que escolher ser uma mulherzinha/criança escondida por detrás da bebida? Deixemos isso para os covardes.

 

Fazer a escolha de estar com os outros e com o companheiro de cara limpa e orgulho de si mesmo é um caminho possível.

 

De qualquer forma, vale lembrar: “A felicidade não é para os covardes”.

 

 

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